Diretor clínico sobre positivos no Sporting: "Não há assunção de erro, porque não há erro"

Diretor clínico sobre positivos no Sporting: "Não há assunção de erro, porque não há erro"
Redação

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O diretor clínico da UNILABS, Maia Gonçalves, disse O JOGO que do lado do laboratório "não há nenhuma assunção de erro, porque não há erro".

Nuno Mendes e Sporar, dois dos três futebolistas do Sporting (o outro é Luís Neto) que testaram positivo à covid-19 na passada quarta-feira, estão recuperados e convocados para a final four da Taça da Liga. Quem o disse foi João Pedro Araújo.

O diretor do departamento clínico do Sporting, atualizou, esta segunda-feira, o quadro clínico da dupla de futebolistas e explicou que a mesma obteve "dois falsos positivos" nos testes antecedentes ao jogo com o Rio Ave (I Liga).

Perante estas afirmações, às que se juntaram as de Miguel Braga, diretor de comunicação do Sporting - "O Sporting foi, sim, prejudicado, não podendo utilizar dois jogadores por um erro de um laboratório, laboratório esse que já admitiu o erro." -, o diretor clínico da UNILABS, Maia Gonçalves, disse O JOGO que do lado do laboratório "não há nenhuma assunção de erro, porque não há erro". "Assinei os testes como positivos. Tudo o que se passou depois daí não faço ideia. Não fomos contactados", revelou ainda.

"O controlo epidemiológico é tão importante que quando sai o resultado, entra logo na base de dados. Quando há erro numa análise, há a obrigatoriedade de uma declaração num formulário da DGS, o SINAV LAB. Quando um laboratório comete um erro tem de pedir à DGS para alterar. Não houve nenhum pedido de alteração na base de dados para os casos do Sporting que declaramos como positivos", começou por explicar.

Maia Gonçalves prosseguiu: "O que costuma acontecer, e é eticamente correto, é que quando uma entidade que tem médicos ao barulho, como o Sporting, desconfia de um positivo, seja porque o jogador é assintomático, pelo contexto, porque o resultado foi inesperado, o médico do clube liga a dizer para se repetir o teste. Ninguém no Sporting o pediu".

"O Sporting tem feito os testes connosco. Sei que foram positivos e depois foram fazer testes noutros laboratórios distintos. Da nossa parte não há nenhuma assunção de erro, porque não há erro. Assinei os testes como positivos. Tudo o que se passou depois daí não faço ideia. Não fomos contactados", explicou.

A finalizar, o diretor clínico da UNILABS afirmou: "Os problemas que há não são das colheitas. O teste tem uma sensibilidade à volta dos 90%. Há 10% de falsos negativos e há 2/3% de falsos positivos. Os testes nunca têm fiabilidade de 100%. Na medicina, só o raio-x tem 100% de fiabilidade. Temos 170 pessoas a morrer por dia, tudo o que temos para lutar contra este vírus é a vacina, os testes e o confinamento. Estar a pôr em causa a fiabilidade dos testes é muito mau. Não imaginam o que é ver pessoas a morrer, algumas sem poderem ser visitadas pelos médicos. Colocar isto em causa é muito mau".