Manuel Ramos, o português que conquistou o futebol de Omã

Manuel Ramos, o português que conquistou o futebol de Omã

Quatro anos depois de aceitar o convite para trabalhar em Omã, Manuel Ramos vai agora orientar o campeão nacional de um país que diz ser uma espécie de "Suíça do Médio Oriente"

Manuel Ramos, 34 anos, natural de Esmoriz, está em Omã há quatro épocas. Depois de ter sido adjunto no Al-Nahda - terceiro no campeonato e finalista da Taça - e na seleção olímpica, vai agora ser treinador principal do Fanja, o maior clube do país que faz fronteira com a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Iémen.

Como é que um treinador com pouco currículo em Portugal foi parar a Omã há quatro anos?

-Trabalhei na Sanjoanense sete anos - comecei como treinador dos infantis e acabei nos seniores - e, quando acabou o contrato, uma semana depois surgiu um convite do Ricardo Silva, que foi adjunto do Erwin Sanchez e trabalhou no Vietname, conseguindo depois entrar em Omã. Como havia uma vaga para adjunto no Al-Nahda, decidi aceitar, tendo em conta as perspetivas que tinha cá e o desafio em termos desportivos, e também culturais, que poderia ser esta viagem.

Aceitou sem hesitar?

-Quando ele me ligou, estava em casa e confesso que, em termos geográficos e culturais, nem sabia onde era e o que era Omã, mas passado uma semana estava lá.

O que o levou a não recusar esta aventura?

-Sobretudo o desafio e as condições financeiras. A única coisa que exigi quando fui para lá foi ter viagem de regresso. Se alguma coisa corresse mal, tinha viagem já marcada e os bilhetes comigo, porque se não me agradasse, ir-me-ia embora.

O que acabou por não acontecer...

-Gosto de viajar, não conhecia aquela zona, e juntei o útil ao agradável. Ao fim de uma semana estava completamente envolvido no que estava a fazer.

Quatro anos depois vai passar a ser treinador principal do campeão, o Fanja SC. Como surgiu este convite?

-Estive dois anos no Al-Nahda e dois na federação, como adjunto da seleção olímpica. O trabalho na seleção é completamente diferente, estamos muito mais tempo parados, para ver jogadores, por exemplo. Gosto do trabalho diário e já não estava a sentir-me realizado profissionalmente. A competição é pouca e eu amo competição. O facto de termos sido eliminados na qualificação para os Jogos Olímpicos [pelo Iraque] fez com que estivéssemos quase um mês sem competição oficial. A partir desse momento, tendo tido sempre a perspetiva de ser treinador principal, comecei a ver jogadores, clubes, e a minha mudança estava planeada há algum tempo.

Estava planeada como?

-Sabia que tinha mercado aberto em Omã, tenho muito boa relação com os jogadores e com os dirigentes. Já tinham surgido outros convites, mas eram projetos que não me aliciavam. Sei que o primeiro passo tem de ser o mais controlado possível, embora no futebol nunca saibamos o que vai acontecer. Como o Fanja é o maior clube de Omã, aceitei com orgulho e coragem este desafio.

Ter liberdade de escolha e de decidir também pesou na opção de assumir o cargo sem receios?

-Tinha de ter, de facto, um clube que me desse autonomia completa para escolher jogadores, staff e outras coisas importantes. Felizmente, o Fanja tem uma projeção grande e muitos jogadores são internacionais de Omã. Vamos ter três estrangeiros, o limite são quatro, mas só podem jogar três e, para ter jogadores mais caros a não jogar, prefiro não os ter. Vou levar jogadores daqui das ligas profissionais, mas não portugueses, e o meu adjunto vai ser o Leandro Vieira, que já estava no ano passado no Fanja como adjunto. O team manager e o treinador/tradutor também fui eu que os escolhi.

A fasquia está agora muito mais alta?

-A fasquia está elevadíssima. Os objetivos são claros: ganhar todas as competições. Primeiro a Supertaça, depois o campeonato e a Taça de Omã, que é mais importante do que o campeonato. É a Taça do Sultão e, para eles, tudo o que envolva o sultão está acima de qualquer outra coisa. Nesta competição, os prémios monetários são mais altos. E temos também a competição internacional, a Liga Europa lá do sítio.