
Pedro Martins
Treinador do Al Gharafa fala a O JOGO
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As retaliações iranianas à operação militar desencadeada pelos Estados Unidos e por Israel, originaram a queda de bombas em territórios próximos, como o Catar. O futebol neste país, inclusive, já foi suspenso, como conta a O JOGO o treinador Pedro Martins, que orienta o Al Gharafa.
O futebol no Catar foi suspenso, certo? "Sim, é isso. Ainda hoje já tivemos uma reunião via Zoom com o comité da Superliga. Neste momento há alguma indecisão. Ontem, por exemplo, havia dois jogos de campeonato e eles foram adiados. A Champions League Elite, da qual nós fazemos parte, vai entrar agora nos oitavos finais, mas também vai ser adiado o nosso jogo de amanhã. Enfim, isto vai provocar uma alteração significativa na calendarização até o final do ano. Mas neste momento não tenho muito mais informação, porque também ainda não sei quando é que nós podemos começar a jogar. Eu tive um jogo há três dias e depois de dois dias de folga, hoje era o primeiro dia em que nós iríamos iniciar os treinos, os trabalhos. Mas não o fizemos, por uma medida como é evidente, de segurança."
Sente-se razoavelmente seguro, portanto... "Eu acho que quem está nos Emirados e no Barém tem sofrido mais. Mas quem está na Arábia Saudita, em Riade, por exemplo, ou em Jeddah, não tem sofrido tanto como nas zonas que fazem fronteira com o Barém. Portanto, as pessoas estão mais seguras nesse sentido. Em Doha passa-se exatamente o mesmo. A base aérea, a base americana, fica a cerca de 50 a 60 quilómetros de Doha. Ontem houve muitos mísseis intercetados, bombas. Sentimos que, de facto, havia explosões, mas sentimos também que eram distantes. Portanto, estava um bocadinho distante de onde nós estamos. E, portanto, isso não dá-nos algum sentimento de segurança."
De qualquer forma, quando ouve bombas a sobrevoar essa zona, sente ansiedade. Nunca tem a certeza se não pode haver uma que vá cair perto de si... "É verdade, mas eu tento manter a calma, sinceramente. Não podemos fazer nada. É o que é. É tentar viver com isto. O início foi mais difícil, nomeadamente com a família e com amigos, mas já hoje o número de bombas foi muito inferior do que foi ontem."
O Pedro vive aí com a família? "Vivo com a minha esposa. Os meus filhos estão em Portugal."
