
Nandinho
Entrevista de O JOGO ao treinador do Al Muharraq foi subitamente interrompida
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A entrevista de Nandinho dada este domingo a O JOGO foi subitamente interrompida pelo toque de sirenes de alarme, como pode ler na primeira parte desta conversa. Felizmente nada de grave aconteceu, com o treinador português do Al Muharraq a voltar em seguida ao seu apartamento, prosseguindo a narração dos momentos de tensão que tem vivido no Barém, na sequência da operação militar conduzida pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão.
Ouviu as sirenes, mas desta vez não houve bombas. Está tudo bem? "Sim, sim, está tudo bem. Aqui já houve 45 mísseis intercetados, e nove drones, mas alguns caíram mesmo. Conseguiram intercetar cerca de 90 por cento, mas claro, são muitos e alguns acabam por cair."
E houve vítimas no Barém? "Aqui no Barém creio que não. Durante a tarde não havia vítimas, nem no aeroporto, nem no Crown Plaza Hotel. Nos Emirados sim, houve uma vítima mortal e cinco feridos. Aqui para já não há vítimas."
Agora está mais calmo por aí? "Sim, sim, já subi ao meu apartamento porque já está calmo. Isto são ataques rápidos, depois acalma durante umas horas e depois volta. Na noite passada eram três horas da manhã quando tocaram os alarmes no telemóvel e as sirenes. Fui para a garagem, depois passada meia hora regressei a casa e às 7h00 já estavam a tocar outra vez. Fui outra vez para baixo. E andamos nisto."
Está a ter a resposta que queria por parte das autoridades portuguesas. Sente-se bem acompanhado? "Nós vamos recebendo instruções, pelo menos do Ministério aqui do Barém. E temos um grupo no WhatsApp com a Embaixada Portuguesa na Arábia, que nos vai dando algumas respostas. Vão colocando algumas respostas a questões no grupo, para nós estarmos por dentro daquilo que se está a passar, mas a mensagem é sempre uma, é a de mantermos a calma, respeitarmos aquilo que as autoridades dizem, ficarmos por casa, evitarmos andar expostos na rua, e estarmos em lugares seguros quando começam os bombardeamentos. Irmos para sítios seguros. Mas ainda estamos num segundo dia de ataques, vamos aguardar mais umas horas, um dia, dois, para ver a evolução, porque também vamos estar atentos às notícias, àquilo que vão dizer nos canais de televisão portugueses e nos árabes. Vamos tentar estar atualizados para percebermos o que se está a passar, para depois tomarmos uma decisão."
Está com vontade de ir de carro até Riade e depois apanhar lá um avião? "Estou com vontade de regressar a Portugal e esperar aí que as coisas se resolvam. Ir para Riade e ficar no aeroporto? Mas depois, se chegar lá e os voos estiverem cancelados, não é um bom local para estar. Já atacaram o aeroporto de Doha, no Qatar, já atacaram o aeroporto no Dubai, atacaram o aeroporto aqui, portanto os aeroportos não são bons sítios para nós ficarmos. A solução era ir para a casa de colegas treinadores que estão a trabalhar em Riade e se disponibilizaram, se quiséssemos ir para lá. Disponibilizaram a casa, se fosse necessário, mas claro, não é essa a solução que nós queremos."
Pelo menos sempre estaria mais seguro do que no Barém... "Sim, exatamente, seria uma solução de recurso, mas o ideal mesmo era nós regressarmos a Portugal, pelo menos até a situação estar calma e estar resolvida. O que não queremos é ficar neste impasse aqui, a ver o que é que vai suceder. Não sabemos se as coisas vão manter este ritmo, ou se vão complicar-se ainda mais."
Vai continuar a esperar, portanto... "Vamos esperar e ter a esperança de que isto se vai resolver o mais rápido possível. Caso contrário, esperar que o Governo português nos dê uma solução, que nos tente ajudar, a quem está nestes países, sobretudo em países que têm os aeroportos fechados, em que o espaço aéreo está fechado e fica difícil de viajar."
Que solução poderia haver por parte do Governo? "Não sei, talvez mandarem um avião, porque normalmente existem esses protocolos em que os governos conseguem meter um avião para retirar os cidadãos portugueses que estão nesses países de conflito. Normalmente são situações diplomáticas que têm protocolos e que permitem que haja essa evacuação. Estamos à espera e a aguardar, a perceber o que é que a embaixada nos vai dizer. Caso isto persista e não haja melhorias, claro que terá que se falar disso e tentar perceber com a embaixada até que ponto é que o governo português nos pode ajudar."
