Entrevista com Nandinho interrompida: "As sirenes estão a tocar! Vou para a cave!"

Nandinho
Reprodução/Instagram
Entrevista de O JOGO ao treinador do Al Muharraq foi subitamente interrompida
No Barém têm sido constantes os bombardeamentos resultantes das retaliações iranianas à operação militar desencadeada pelos Estados Unidos e Israel. Nandinho, treinador do Al Muharraq, estava a ser entrevistado telefonicamente por O JOGO quando foi interrompido pelas sirenes que obrigam os cidadãos a abrigarem-se de potenciais bombardeamentos. Felizmente nada de grave ocorreu, como poderá ler na segunda parte desta entrevista.
Como tem vivido estes acontecimentos no Barém? "O Barém também tem sido atacado. Há alguns pontos estratégicos para os iranianos, como a base americana que existe aqui e que foi atacada desde ontem. E também um edifício onde viviam alguns americanos. Ontem à noite o aeroporto também foi atacado, caiu lá uma bomba, um drone, não tenho a certeza. Assim como um hotel na capital, que também foi atingido. Creio que também havia lá americanos ligados ao exército."
Pessoalmente, como tem reagido a esse drama? "A verdade é que estamos aqui num impasse, sem saber o que fazer. Temos contacto com a embaixada portuguesa em Riade, porque aqui não há embaixada portuguesa e a de Riade é a mais próxima. Ultimamente têm tocado sirenes e então tenho que baixar para a cave. Isto tem sido constante, são ataques rápidos, depois está algum tempo sem haver nada, mas têm sido ataques constantes, com explosões."
Momentos de grande apreensão, certamente... "Existe alguma apreensão, como é natural. Muita apreensão e alguma incerteza daquilo que temos que fazer, mas é seguir as ordens do ministério, de ficarmos resguardados e de seguirmos as instruções, quando estamos aqui neste impasse, à espera do que o governo português possa fazer. Porque não é só aqui. É aqui, é no Catar, é nos Emirados. E a verdade é que a solução que nós temos agora é ir para Arábia Saudita, por uma ponte que há aqui, que eles estão a deixar passar. O problema é que o espaço aéreo está fechada, apesar de estar aberto na Arábia Saudita. E apesar de o espaço aberto ainda estar aberto na Arábia Saudita, a maior parte dos voos estão a ser cancelados. Nós podemos meter-nos de carro e ir para a Arábia, mas depois é chegar a Riade e se calhar ficarmos lá no aeroporto porque não há voos."
No Barém o espaço aéreo está fechado, certo? "Sim, está fechado."
Portanto, está a pensar ir até Riade e depois apanhar lá um avião? "Vou aguardar, estamos a tentar ver. Vou aguardar mais uns dias, e ver se temos algumas indicações precisas da Embaixada Portuguesa, Vamos ver o que o governo vai fazer para ajudar a quem quer sair, conseguir sair. E se não tivermos, a única solução é ir para a Arábia e esperar que o espaço aéreo ainda esteja aberto daqui a dois dias e tentar encontrar um voo que nos leve para casa. Ou pelo menos para a Europa. Mas eu estou a falar consigo e já estão a tocar sirenes."
Se tocou aí a sirene, precisa de ir agora para a cave? "Sim, sim, estão a tocar, estão a tocar! Exatamente, eu vou ter que baixar agora para a cave."
