
Pedro Martins
Treinador do Al Gharafa fala a O JOGO
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O Catar já foi atingido por dezenas de mísseis desde o início da operação militar no Irão, mas o treinador português Pedro Martins, do Al Gharafa, não se sente particularmente atemorizado. No seu entender, a margem de segurança é suficiente para permanecer em Doha.
Como está a situação na cidade de Doha? Tem havido bombardeamentos? "Houve mísseis dirigidos a Doha, mas creio que dos 66 que foram lançados, apenas dois não foram intercetados. E mesmo esses dois não rebentaram aqui. Provavelmente rebentaram em outros locais mais desérticos do que propriamente na cidade. O sistema de segurança aéreo no Catar é de grande qualidade. Ontem havia alguma apreensão, mas hoje já sentimos muito menos confusão. Portanto, sinto-me seguro, dentro das condições possíveis, mas sinto-me seguro, muito sinceramente."
Quando há bombardeamentos, tocam sirenes para vocês se protegerem? "Sim, somos avisados com um alerta. Temos dois tipos de alerta, um amarelo e outro vermelho. O vermelho é apenas em última instância, será para nos resguardar-nos em caves, por exemplo. Mas ainda não recebemos esse tipo de alerta. De qualquer forma, a qualidade da informação que nos está a chegar, quer via do governo do Catar, quer via da nossa embaixada portuguesa em Riade, é de qualidade, o que nos permite estarmos mais serenos."
Mas tem saído à rua? Vê-se gente na rua aí em Doha? "Sim, ainda hoje tive que comprar várias coisas para o meu dia-a-dia. Tive que me dirigir a um hipermercado e fui. E muita gente, como eu, também fez o mesmo."
Mas há restrições, certo? As pessoas estão mais resguardadas em casa? "Sim, aconselham-nos a permanecermos por casa, sim. Não nos limitam, mas aconselham-nos a que fiquemos em casa."
O Pedro diz que se sente mais ou menos sereno. Não sente a hipótese de sofrer algum tipo de consequências? "Nós não controlamos, estamos impotentes em relação ao que está a acontecer. Mas acredito que as coisas vão voltar à normalidade. As relações entre o Catar e o Irão normalmente são boas e eu penso que todos os mísseis que são enviados para esta zona são mais dirigidos às bases militares dos Estados Unidos. E, portanto, ainda não há nenhum registo ocorrido na população. Já vi que no Barém e nos Emirados isso tem acontecido, mas aqui não."
O Pedro está a pensar em ficar por aí, ou põe a hipótese de sair do país? "Não, não estou a pensar sair. Ainda me sinto minimamente seguro. Mas também é impossível sair, porque o espaço aéreo foi fechado e penso que vai ser fechado até à uma hora da manhã do dia 3. Sei que alguns portugueses tentaram ir para Arábia Saudita para depois chegar a Portugal. Mas não é isso que eu estou a pensar. Estou a pensar em continuar aqui, até porque, como disse, o nível de segurança ainda me permite continuar no país."
O acompanhamento da embaixada portuguesa tem sido o melhor? "Devo dizer que a embaixada tem nos informado de tudo aquilo que está a passar, diz quais as medidas e precauções que nós devemos tomar. Tive também a oportunidade de receber uma chamada do secretário de Estado das Comunidades, o doutor Emílio de Sousa. Enfim, o Governo português tem estado em cima do acontecimento, tem-nos dado informações e tem-nos ajudado nesse sentido. Portanto, devo agradecer a preocupação que o Governo português teve."
