"CAN a cada quatro anos? Lutámos durante décadas por respeito e agora a Europa apaga..."

Tom Saintfiet, selecionador do Mali
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Tom Saintfiet, selecionador do Mali, reagiu com muitas críticas após o anúncio de que a Taça das Nações Africanas vai passar a disputar-se de quatro em quatro anos, em vez de ser bienal
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Depois do anúncio da Confederação Africana de Futebol de que a Taça das Nações Africanas (CAN) vai passar a disputar-se de quatro em quatro anos a partir das edições de 2027 e 2028, em vez de ser bienal, várias figuras do futebol africano reagiram a esta alteração, e nem todas com sorrisos.
Joseph-Antoine Bell, antigo guarda-redes dos Camarões e campeão de duas CAN's, foi um dos primeiros a reagir com desagrado ao portal "AfrikInform": "É como se dissessem àqueles que vão à missa todos os domingos que agora passará a ser apenas uma vez por mês. Não é uma decisão a favor dos africanos, isso é claro. Deixares de ter a tua festa de dois em dois anos não pode ser motivo de alegria".
No entanto, a crítica mais forte chegou de Tom Saintfiet, selecionador do Mali, que se encontra a disputar a CAN'2025 e acusou várias entidades, com especial foco na Europa, de terem contribuído para o que considera ser uma "falta de respeito" pela história do futebol africano, em detrimento de interesses económicos.
"A CAN é um momento de glória para o futebol africano. Passar para uma CAN de quatro em quatro anos é retirar isso... Eu poderia compreender se, à partida, se tratasse de um pedido das federações africanas ou de uma exigência dos jogadores africanos. Mas isto está a ser feito para satisfazer os poderosos: a UEFA, os grandes clubes dos cinco principais campeonatos europeus e a FIFA. É isso que torna esta decisão tão triste. Lutámos durante décadas para que o futebol africano fosse respeitado e agora a Europa apaga uma história de quase 70 anos por razões financeiras, e apenas por isso. É uma falta de respeito passar a CAN para um formato de quatro em quatro anos. Gostaria que o amor de África pelo futebol se sobrepusesse aos interesses das instâncias e dos poderosos", desabafou o técnico belga, em conferência de imprensa.
Mais neutro foi o comentário de Walid Regragui, selecionador de Marrocos, que refletiu: "Há aspetos positivos e outros menos. O formato bienal da CAN permitia a muitas equipas evoluir e desenvolver-se, ou reconstruir-se rapidamente após um fracasso. Estamos bem posicionados para o constatar".
De resto, Riyadh Mahrez, capitão da Argélia, também citado pelo "Afrik Foot", reagiu à notícia com otimismo: "Talvez torne a competição mais atrativa. Pode haver mais pressão, já que será disputada de quatro em quatro anos, em vez de dois em dois".

