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LUSA
Equipa minhota tem uma agenda preenchida e exigente neste mês. Entrada com o pé esquerdo no ciclo. A equipa de Artur Jorge vai jogar este mês o futuro na Taça e na Conference League, duas provas em que tem objetivos ambiciosos. Mexidas no plantel são pontos de interrogação em relação ao rendimento.
Oito jogos em quatro semanas, intervalos de recuperação mais curtos e duas competições a eliminar. Fevereiro é um mês louco para o Braga em termos competitivos e vai colocar à prova a valia do plantel de Artur Jorge, bem como os desejos ambiciosos da equipa em competições como a Taça de Portugal e a Conference League.
O arranque deste ciclo exigente não correu da melhor forma, com uma derrota estrondosa em casa do Sporting, e esse resultado deixou o conjunto arsenalista mais pressionado para o calendário que se segue.
Depois da deslocação a Alvalade, o Braga recebe no domingo o Famalicão e em exame vai estar a reação da equipa ao pesado desaire frente aos leões. O jogo reveste-se de especial importância, sobretudo em termos psicológicos, por forma a perceber se a goleada deixou algum tipo de trauma.
Seguem-se os jogos contra o Benfica (Taça de Portugal), Marítimo, Fiorentina fora de casa (play-off da Conference League), Arouca, novamente Fiorentina e, por fim, dérbi frente ao Vitória, em Guimarães.
Em quantidade e em qualidade, prevê-se um mês exigente para a equipa comandada por Artur Jorge, que assentará boa parte do sucesso da temporada naquilo que fizer ao longo das próximas semanas.
As muitas alterações que o plantel sofreu, com as saídas de Fabiano, Bruno Rodrigues, Diego Lainez, Hernâni e Vitinha e as entradas de Joe Mendes, Bruma e Pizzi, deixam também um ponto de interrogação em torno do que será o rendimento do Braga até ao final da temporada.
A acumulação de jogos faz com que os intervalos de recuperação variem entre as 72 e as 96 horas, havendo pouco tempo para preparar as partidas do ponto de vista estratégico. Para contornar este ponto, é de prever que o treinador arsenalista alargue a base de recrutamento, de maneira a ter a equipa o mais fresca possível para os compromissos mais complicados, como os duelos frente ao Benfica e Fiorentina.
Chegar à final do Jamor é um objetivo assumido, da mesma forma que a final da Conference League, em Praga, também está na lista de objetivos ambiciosos do clube.
TRÊS QUESTÕES A JORGE SILVÉRIO, PSICÓLOGO DO DESPORTO
"Alvalade pode criar um trauma"
1 - Ter pela frente um mês com muitos jogos pode ajudar a atenuar a ansiedade por haver tantas decisões importantes?
-Os treinadores e os jogadores gostam de dizer que preferem jogar logo a seguir, ou o mais rápido possível, após um mau resultado. O importante é que o plantel arranje estratégias para contornar esse mau resultado, como olhar para o que fez de positivo esta época, de maneira a isolar esse jogo como um acontecimento sem sequência. E um bom exemplo será a vitória frente ao Benfica, logo a seguir à primeira goleada contra o Sporting.
2 - Há algum perigo de trauma para a equipa após sofrer duas goleadas num curto espaço de tempo em Alvalade?
-Sim, pode criar algum trauma. No seio da equipa, o assunto até pode nem ser falado, mas os jogadores estão sujeitos ao que se ouve no espaço público e na Comunicação Social. Quando o Braga voltar a jogar contra o Sporting, ou contra uma equipa grande, alguém se irá lembrar dos desfechos de Alvalade.
3 - A pressão de andar nos primeiros lugares e de poder lutar pelo título tem influência?
-É sempre um tema que pode mexer com a equipa. Quem está à frente, neste caso o Artur Jorge, deve preparar o grupo para lidar com esta situação. No fundo, esta é uma pressão boa, é melhor do que andar a jogar para o meio da tabela. Uma vez que, mais tarde ou mais cedo, o Braga se propõe a lutar pelo título, o plantel deve estar habituado a essa pressão mediática.

