
UM LIVRO POR DIA >> Nesta viagem de um inglês pela imensidão do futebol brasileiro tropeça-se em maldições, como a do Náutico que devia um boi a Exu e não saída da cepa torta
Já alguma vez viu ou sequer ouviu falar de um jogo de futebol com automóveis? Sabe que há um campo onde uma equipa ataca para o hemisfério sul e a outra para o hemisfério norte? Pois, mas é tudo verdade. No Brasil dos muitos pobres, há ricos que estouram carros a disputar um jogo de bola com balizas. Chamam-lhe autobola.
Em Amapá a linha do meio-campo coincide com a linha do Equador e o estádio é enorme e chama-se Zerão, o que levou Alex Bellos, o autor desta prosa dos deuses, a questionar as razões do aumentativo de nada. É a maior obra construída naquele estado desde que os portugueses edificaram um forte na margem do Rio Amazonas, em 1782. O estádio está tão "bem feito" e o local foi tão bem escolhido que a dificuldade maior não é marcar golos, é aguentar a cobertura das bancadas. A ditadura gostava que o povo gostasse de bola. Ah!, o forte ainda resiste.
Nesta viagem de um inglês pela imensidão do futebol brasileiro tropeça-se em maldições, como a do Náutico que devia um boi a Exu e não saída da cepa torta, ou do sapo enterrado em São Januário para o Vasco da Gama não botar a mão ao prato. Numa correria tão alegre e divertida quanto possível numa observação profunda do futebol brasileiro há histórias de claques até ao drama do Zé da Rádio, sujeito a uma transplante cardíaco mas desconfiado até à medula. Poderia o coração ser alguém do Náutico sendo ele desesperadamente Sport? Também há partes sérias, como uma entrevista a Sócrates e o detalhe da comissão de inquérito ao Mundial"1998, se Ronaldo devia ter jogado a final.
