Internacional

Iñaki Williams recorda a travessia dos pais: "Bebiam urina para sobreviver"

Iñaki Williams protege a bola de Danilo EPA/JOSE SENA GOULAO

Avançado do Athletic Bilbau abordou ainda o tema do racismo em Espanha

Numa entrevista à ESPN, Iñaki Williams, avançado do Athletic Bilbau e da seleção do Gana, recordou a travessia dos pais para chegarem a Espanha e darem-lhe a ele e ao irmão (Nico Williams, que representa a Espanha) um futuro melhor.

"A minha mãe disse-me que estava grávida de mim e o meu pai disse: 'Vamos embora daqui'. Foram pelo deserto, tinham de beber a sua própria urina para sobreviver", recorda.

"Tiveram de enterrar pessoas, deixar pessoas para trás... O meu avô faleceu este verão, queria que eu jogasse na seleção do Gana, consegui e pude honrá-lo. Quando fomos lá este verão, o meu irmão e eu vimos miúdos descalços na estrada ou a vender bananas e eu disse: 'Olha, Nico, se não fossem a mãe e o pai, podíamos ser um destes miúdos'", comentou.

Quanto ao racismo em Espanha, Iñaki lamentou o classismo da sociedade espanhola: "Em Espanha, penso que as pessoas são classistas, porque se tivermos muito dinheiro, como é o meu caso, não se olha para a cor da nossa pele, mas se formos vendedores ambulantes, olham mais para a cor da nossa pele."

Iñaki lamentou que o que Vinícius Jr. tem passado, comentando o caso no estádio do Valência. "É algo que ele não tem de sofrer. Mas fá-lo muito bem, porque dá visibilidade a todas as pessoas que foram vítimas de racismo e que teriam ficado gratas se todos os jogadores do Real Madrid tivessem saído e o jogo tivesse sido interrompido. A reação tinha de ser essa".

Redação