
Tem 21 anos e começou por representar a França no esqui alpino, mas a família acabou por o lançar para uma espécie de missão: divulgar a modalidade no país dos avós, pouco dado a desportos de inverno
Nascido em Paris, o esquiador Arthur Hanse aceitou o repto de representar Portugal nos Jogos Olímpicos de Sochi e desempenhar o papel de impulsionador do esqui alpino no nosso país. Em conversa com O JOGO, o atleta de 21 anos garante estar a trabalhar para conquistar resultados de relevo que façam os mais jovens olhar para ele com a mesma admiração com que olham para o craque do Real Madrid e da Seleção Nacional.
Como está a decorrer a preparação para a Taça da Europa de esqui alpino?
- Em abril comecei a trabalhar com o meu treinador, mas desde junho que tenho estado integrado com um grupo de atletas internacionais que têm os mesmos objetivos que eu. Acho que essa é uma boa preparação para a Taça da Europa. Nesse período, o nosso trabalho incidiu muito entre caminhadas e musculação, para melhorar a condição física. Daqui a algumas semanas, o grupo vai ter uma reunião para debater o calendário de provas e vamos começar o treino mais técnico.
Quais são os seus objetivos para essa competição?
-Este é um circuito de prestígio, onde costuma imperar o equilíbrio. A primeira prova disputa-se em Are, na Suécia, e quero chegar lá em grande forma. Se tudo correr como eu espero, posso chegar ao top 15 nessa competição e isso já seria um grande feito para um atleta de esqui alpino português.
Este é um passo importante na preparação e qualificação para os Jogos Olímpicos de Inverno. Acha que, em 2018, tem condições para melhorar a prestação de 2014?
-O meu grande alvo são os Jogos Olímpicos de 2018. Ainda sou jovem e penso que posso fazer bons resultados nessa prova. Espero ainda poder participar em uma ou duas provas do Circuito Mundial de esqui alpino, para ganhar mais experiência.
Vai continuar a competir nas categorias de "slalom" e "slalom gigante"?
-Vou participar nas duas categorias. Estava mais focado no "slalom", mas acabei por decidir que também iria fazer o "slalom gigante". Nas duas quero representar o meu país de forma digna. Quero ajudar ao desenvolvimento do esqui alpino em Portugal e, para isso, é necessário ter bons resultados internacionais.
Como se dá mais visibilidade ao esqui em Portugal?
-Penso que é muito importante falar de esqui alpino em Portugal além das nossas [Arthur Hanse e Camille Dias] participações nos Jogos Olímpicos. Esta modalidade passa ao lado dos meios de Comunicação Social. Nós, enquanto atletas, esforçamo-nos para divulgar as novidades e resultados nas redes sociais. Queremos chamar a atenção das pessoas e trazê-las para o esqui.
Acredita que um resultado de relevo podia chamar mais curiosos?
-Tenho consciência que sou a imagem desta modalidade e é por isso que luto tanto por resultados relevantes. O esqui alpino precisa de campeões. Os jovens costumam seguir aqueles que são uma bandeira do país lá fora, como o Cristiano Ronaldo, no futebol. Eu gostaria de ser o Ronaldo do esqui alpino português.
Nasceu em França, nação com tradição no esqui alpino, e até chegou a competir com as cores do país. Escolher Portugal foi uma decisão difícil?
-A escolha por Portugal acabou por ser bastante fácil. O meu padrinho e os meus avós são portugueses e transmitiram-me muita coisa sobre o país. Fiquei a amar Portugal. Quando era novo lesionei-me quando competia pela França e, na altura, não senti muito apoio da Federação. Quando surgiu a hipótese de vestir as cores portuguesas nem hesitei. O meu grande objetivo é transmitir a minha paixão pelo esqui ao país.
