"Pilotar o carro da Aston Martin é como ser eletrocutado numa cadeira elétrica"

Lance Stroll
AFP
Monolugar da Aston Martin causa danos nos nervos das mãos e os pilotos Fernando Alonso e Lance Stroll já se queixaram. O Mundial de Fórmula 1 arranca já no fim de semana
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Adrian Newey, diretor da Aston Martin, revelou que as vibrações do motor Honda podem causar danos permanentes nos nervos, partilhando as palavras do piloto Fernando Alonso.
"Disse-nos que não podia fazer mais de 25 voltas sem sofrer danos permanentes nos nervos das mãos. E o Lance Stroll não podia dar mais de 15. Teremos de limitar muito o número de voltas que damos à pista até detetarmos esta fonte de vibração, para que depois possamos detetar a origem do problema e melhorar", declarou.
O problema foi detetado nos testes realizados no Barém. "Essa vibração originou que retrovisores e outras peças do carro se soltassem sozinhas. Mas o problema maior é que a vibração é transmitida para os dedos dos pilotos e não sabemos as consequências de continuar assim mais tempo", indicou.
Entretanto, o piloto Lance Stroll já comentou: "Não sei com o que é que se poderiam comparar essas vibrações... Suponho que, simplesmente, é como ser eletrocutado numa cadeira elétrica ou algo do género. Não se afasta muito disso. Todo o carro se desmoronava com este nível de vibração. É muito desconfortável e prejudicial para o motor, mas também para a pessoa que está dentro do carro."

Fernando Alonso também abordou as vibrações do novo motor Honda no AMR26. Nós, os pilotos, sentimos no nosso corpo esta frequência de vibrações, que se nota especialmente ao fim de 20 ou 25 minutos. Ficamos um pouco dormentes. Depois de algumas voltas, as mãos, os pés ou o corpo em geral ficam um pouco adormecidos. Não sabemos o que pode acontecer ao nosso físico se fizermos isto durante meses", referiu. No entanto, garante: "Poderia estar três horas a rodar com estas vibrações se estivéssemos a lutar pela vitória."

A 77.ª temporada do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 arranca este fim de semana, na Austrália, sob o espetro da guerra no Médio Oriente, que ameaça a realização de alguns Grandes Prémios previstos para este ano. As corridas previstas para o Barém e Arábia Saudita, no próximo mês de abril, estão em risco, mas o assunto só será avaliado só nas próximas semanas.

