
Campeão mundial Lando Norris ao centro
EPA
Fórmula 1 arranca na Austrália com mais uma equipa, a Cadillac, ameaçada pela guerra do Irão e anunciando lutas entre McLaren, Red Bull, Mercedes e Ferrari, embora em novos carros
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Esta madrugada (1h30 e 5h00), com os primeiros treinos livres em Melbourne, acabam os segredos. As equipas de Fórmula 1, aumentadas para 11 com a estreia da Cadillac - fazendo regressar os veteranos Valtteri Bottas e Sergio Pérez -, vão ter de mostrar o que realmente valem, com chassis novos e mais pequenos, motores ainda mais híbridos, combustíveis mais sustentáveis e novos pneus. Mantendo as 24 corridas e planeando mudar algumas se a guerra no Irão impedir as agendadas para o Médio Oriente, a nova era é considerada a mais imprevisível em muitos anos, embora os testes dos últimos meses tenham indicado que a hierarquia mudará pouco. Mas, entre a campeã McLaren, Mercedes, Ferrari e Red Bull, só nas madrugadas de sábado (qualificação às 5h00) e domingo (GP da Austrália às 4h00) se saberá quem... mudou melhor.
"Ganhei confiança no ano passado. Sei que o posso fazer outra vez", diz Lando Norris, esperançado em revalidar o título, embora as alterações possam ter terminado com o domínio da McLaren. Os testes de pré-época, em Barcelona e no Barém, tiveram Lewis Hamilton e Charles Leclerc, da Ferrari, com os melhores tempos, seguidos de perto pelos Mercedes e com os motores feitos por Red Bull e Ford a impressionarem, dando a sensação de terem escondido o real valor. A McLaren esteve à altura, mas as casas de apostas dão Norris como sexta possibilidade para o título, numa lista liderada por George Russell, à frente de Max Verstappen, Leclerc e Hamilton.
"A adaptação aos novos carros é um grande desafio, pois temos de fazer a gestão da energia, recuperando as baterias, perceber os modos de ultrapassagem e a aerodinâmica ativa", analisa o britânico da Mercedes sobre a nova era, que já gerou críticas dos dois maiores campeões da atualidade. Lewis Hamilton e Max Verstappen consideraram, com alguma razão, que desacelerar para carregar baterias não é próprio de um piloto.
Mais pequenos e divertidos
A primeira mudança da 77.ª época da Fórmula 1 será notada já na madrugada de sábado: com 22 carros em pista, a qualificação 1 eliminará seis e a seguinte outros seis, para ficarem os dez habituais a discutir as cinco melhores filas na grelha de partida. A principal alteração não será visível, pois estará nos motores, agora com combustível 100% renovável e quase metade da potência a vir das baterias, que os pilotos têm de recarregar nas desacelerações e travagens. O motor a combustão continua a ser um V6 de 1,6 litros turbocomprimido, mas agora debitando 540 dos 1000 cavalos, ao invés dos anteriores 850.
Com menos 20 centímetros na distância entre eixos (340 cm) e menos dez na largura (190 cm), os carros serão mais pequenos e leves (menos 30 kg), tendo pneus mais estreitos (2,5 cm à frente, 3 cm atrás) e menor efeito de solo. "É diferente, é novo e mais divertido de pilotar, são carros mais fáceis de corrigir", considerou Lewis Hamilton, um dos mais críticos nos primeiros testes. Aos 41 anos, e após uma primeira época negra na Ferrari - a sua primeira sem um pódio e a pior de sempre de um estreante na Scuderia -, o britânico diz-se "focado no sonho" de atingir um histórico oitavo título.
Guerra pode fechar a "mina de ouro"
A Fórmula 1 arranca na Austrália, segue depois para China e Japão e terá em abril a primeira passagem pelo Médio Oriente, com os Grandes Prémios do Barém (dia 12) e da Arábia Saudita (dia 19), isto se a guerra entre Estados Unidos/Israel e o Irão der tréguas até ao final do mês. A organização do Mundial continua sem contactar outros possíveis organizadores, pois deixar os países que mais pagam para estar no calendário será um rude golpe financeiro, mas em breve poderá ter de o fazer. Autódromo do Algarve, Imola (Itália), Istambul (Turquia), Hockenheim ou Nurburgring (Alemanha) são hipóteses para manter as 24 corridas e até podem entrar quase todas se o conflito se eternizar, pois a época fecha no Catar e em Abu Dhabi (EAU).
O Mundial de Resistência já adiou a sua abertura, que seria dia 28, no Catar, o MotoGP, que tem a quarta corrida do ano também em Lusail, a 12 de abril, já admite um "plano B", mas na F1 ainda se pensa no preço da mudança. Os países do Médio Oriente pagam entre 40 e 50 milhões de euros por corrida, sendo dos mais lucrativos para os organizadores, e a troca representará "borlas". Portugal, que pagará o regresso em 2027 e 2028 - estima-se que cerca de 30 milhões por ano - já teve a F1 em 2020 e 2021, curiosamente também oferecida, em anos de pandemia.


