
Filipa Martins
Como o namorado, também ligado à ginástica, treinador de acrobática, já estava por terras helvéticas há um ano e meio, a atleta portuense, de 29 anos, foi ter com ele quando acabou a carreira
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Filipa Martins terminou a carreira após os Jogos Olímpicos"2024, onde conseguiu uma grande "medalha" ao apurar-se para o all-around, a final da prova de ginástica artística, alcançando o que jamais uma portuguesa havia alcançado. Paris foi o último ponto de uma caminhada que teve mais duas passagens olímpicas - Rio"2016 e Tóquio"2021 - e a tornaram na melhor ginasta lusa de sempre. Agora reside na Suíça, em Winterthur. "O meu namorado [Nélson Araújo] já estava lá, há um ano e pouco, saiu de Portugal porque tinha acabado o contrato, também de treinador de ginástica, mas acrobática, no ACRO Clube da Maia, e, para ficar um bocadinho mais perto até aos Jogos Olímpicos, procurou trabalho e arranjou na Suíça e eu acabei os Jogos e fui para o pé dele", explica.
"Se fui por amor (ri-se)? Sim, fui", responde a ginasta, em entrevista a O JOGO, numa recente visita à terra natal, o Porto. "Agora dou treinos a meninas mais novas, dos sete aos dez anos, e assim comecei a minha carreira de treinadora, um bocadinho mais longe daqui, mas com a mesma paixão pela ginástica", refere, garantindo que é "bom ser treinadora", justificando: "Era algo que eu já queria, estudei para isso. Tirei licenciatura de Desporto e agora o mestrado de Alto Rendimento, que não acabei, porque foram os jogos, depois a mudança para lá, enfim, acabou por acontecer tudo ao mesmo tempo, e deixei a tese do mestrado um bocadinho em "stand-by", mas está tudo a correr muito bem".
Mas quem julga que Filipa arranjou trabalho à primeira, desengane-se. "Por se ter sido ginasta não quer dizer que se vá ser boa treinadora. Acho que viram, principalmente, as coisas da faculdade, o curso e que podia ser uma mais-valia. Primeiro, tive um contrato curto, porque ninguém me conhecia e, ainda mais sendo estrangeira, foi de três meses. Só depois é que fizeram novos contratos", conta, dizendo que mudou de país e só depois tratou de arranjar trabalho. "Eu fui para lá primeiro e a seguir é que procurei emprego, fui mandando currículos, fui a vários clubes, até que houve um em que fiquei". E as saudades, como se lida com as saudades? "Se calhar é mais difícil estar longe dos amigos e de alguns sítios. Por outro lado, não é muito longe e desde muito nova que viajo, estou habituada a estar algum tempo fora, longe da família. Desde muito nova que me fui adaptando e fui... Não sei, foi um bocadinho natural, sempre fui um bocadinho do Mundo e não tanto de um lugar só, específico, por isso é que não foi assim muito difícil", reage. "Mas também ainda estou lá há pouco tempo e não sei se, daqui a uns anos, vou sentir um bocado mais de saudades. Para já, é perto e, como disse, acabo por vir cá muitas vezes, há sempre trabalhos, competições", afirma, assegurando que um dia volta a Portugal. "Não sei se em breve ou não, mas é certo que gostávamos de voltar", diz.
Cargo novo e plantas
As novidades na vida de Filipa não se ficam por aqui. Há, pelo menos, mais duas: um cargo na Federação Internacional de Ginástica e a paixão pelas plantas. "Quando disse à minha federação que ia terminar a carreira, eles acharam que era giro, que eu era uma pessoa que conseguiria ajudar os atletas e surgiu um bocadinho aí. Fiquei assim um pouco de pé atrás, não sabia se queria, porque aquilo que eu queria mesmo era ser treinadora de ginástica. Mas aceitei e o mais importante é apoiar quem realmente importa, que são os atletas, que muitas vezes não são ouvidos da melhor forma", observa sobre a primeira das outras duas novidades. "Nunca tive paixão por plantas, mas a minha mãe adora, tinha a casa sempre cheia de plantas e eu até dizia que ela vivia numa floresta. Quando fui para a Suíça e arranjámos casa, achava que estava muito vazia. Comecei a comprar algumas e acabei por ficar viciada também e agora eu e a minha mãe até mudanças de plantas Portugal/Suíça fazemos", ri.
A história para "sonhar"
"A "Emind" já tinha feitos alguns livros sobre outros atletas que estiveram em Paris"2024 e também me fez a proposta", revela. "É algo para que as crianças possam sonhar um bocadinho mais e melhor", deseja.

