"Porque é que Vinícius funciona no Real Madrid e no Brasil não? Fácil...."

Vinícius Júnior e Rodrygo
Instagram/Reprodução
Capitão do Brasil na conquista do Mundial de 1994 considera que o extremo do Real Madrid tem a capacidade para liderar a sua seleção dentro de campo, mas não de uma forma "tradicional"
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Dunga, que capitaneou o Brasil até à conquista do Mundial de 1994, defendeu esta segunda-feira que Vinícius Júnior não tem capacidade para exercer essa função na sua seleção, considerando que o compatriota e extremo do Real Madrid é mais um líder "técnico" do que "de balneário".
"Vini, na minha opinião, é um líder técnico, futebolístico, não um líder de balneário ou aquilo que seria um capitão tradicional. Vini é um líder técnico, que faz jogadas, que vai à frente, e o Brasil ainda precisa de um líder de balneário. Casemiro? Pode ser esse líder, sim, é preciso. Passou algum tempo sem termos essa figura e um líder não se forma, ou se é ou não é. E colocar essa responsabilidade em Vini não é bom para ele. As pessoas perguntam-se: 'Porque é que ele funciona bem no Real Madrid e na seleção não?' Fácil. Porque em Madrid ele só se tem de preocupar em jogar. No Brasil, não", refletiu, em entrevista ao jornal Marca.
O ex-médio-defensivo, de 62 anos, referiu ainda que este "era o momento" de o Brasil experimentar ter um selecionador estrangeiro, aceitando assim a contratação do italiano Carlo Ancelotti e abordou ainda a forma como os jogadores do seu país, no futebol atual, se têm tornado cada vez mais "europeizados", com perfis mais físicos e menos técnicos.
"Eu era brasileiro e tentei adaptar-me ao jogo europeu. O problema é que agora os miúdos vão para a Europa com 17, 18 ou 19 anos, e isso muda tudo. Para nós, na nossa época, era inadmissível passar do meio-campo e passar a bola atrás. Os adeptos matavam-te. Sempre em frente e muitos um contra um! Assim eram Bebeto, Ronaldinho, Romário, Sávio... Na Europa, isto não acontece. Os europeus contratavam jogadores jovens e, quando eles chegavam à Europa, obrigavam-nos a passar a bola para trás. Isso não faz sentido", concluiu Dunga.

