
Barcelona's Polish forward Robert Lewandowski poses for pictures with the Most Valuable Player trophy at the end of the 57th Joan Gamper Trophy friendly football match between FC Barcelona and Club Universidad Nacional Pumas at the Camp Nou stadium in Barcelona on August 7, 2022. (Photo by Pau BARRENA / AFP)
AFP
Apetrechado com reforços de luxo, o Barcelona ainda espera pela luz verde de La Liga para efetivar uma revolução que pretende abanar a estabilidade de um Real em plena lua de mel.
Casa de um contigente conhecido do público português formado por Marcão (ex-Chaves), Acuña, Gudelj (ambos ex-Sporting), Corona, Alex Telles, Fernando e Óliver (todos com passagem pelo FC Porto), o Sevilha visita esta segunda-feira o Osasuna no duelo que vai servir de pontapé de saída à edição 2022/23 da liga espanhola, sob o signo do binómio da ordem do Real Madrid e do caos do Barcelona.
Na sequência de um defeso marcado pelo fracasso na contratação de Mbappé, a máquina de vencer construída por Carlo Ancelotti mostrou que os seus alicerces não foram em nada danificados com a nega do francês e juntou a Supertaça Europeia aos títulos da liga e da Champions conquistados na última temporada.
Com Benzema e Vinícius Júnior responsáveis pelo toque de classe num conjunto sólido, afinado e devidamente rodado, o Real Madrid parece partir em clara vantagem na corrida a um título que pode sentenciar o primeiro bicampeonato desde 2008. O contexto fornece toda a confiança aos merengues, mas o velho rival tem trabalhado para estragar o clima de lua de mel que se vive para os lados do Santiago Bernabéu.
Dando sequência à revolução colocada em prática com a chegada de Xavi em novembro de 2021, o Barcelona apostou forte nas aquisições de Lewandowski (Bayern), Raphinha (Leeds), Koundé (Sevilha), Christensen (Chelsea) e Kessié (Milan), que se juntaram a Aubameyang e Ferran Torres, que chegaram em janeiro. A fartura de reforços num contexto de uma grave crise económica tem gerado duras críticas de vários quadrantes e as consequências não se fizeram esperar, com a liga espanhola a travar, para já, a inscrição dos supracitados reforços e de Dembélé (que renovou) devido à incapacidade dos catalães em cumprir o teto salarial imposto pelo organismo. Ontem, a direção liderada por Joan Laporta ativou a quinta alavanca financeira (vendeu mais 24,5 % dos Barça Studios por 100 M€), mas a liga continua a resistir a estas engenharias e só a venda de jogadores - Frenkie de Jong, Braithwaite e Depay perante a hostilidade dos adeptos - pode acelerar a inscrição das novas estrelas blaugrana.
Os suspeitos do costume monopolizam os holofotes mediáticos em vésperas do arranque de La Liga, mas, em Madrid, mora um português que aspira intrometer-se na luta entre os dois colossos do futebol espanhol. Após uma segunda metade de temporada de grande nível que serviu para dissipar todas as dúvidas que pairavam sobre a sua qualidade, João Félix parte para esta edição da prova como a grande figura de um Atlético de Madrid cujo reforço mais sonante (para já) é Witsel, contratado a custo zero após terminar contrato com o Dortmund.
À exceção do Barcelona, a "timidez" no mercado de transferências tem sido uma tendência num dos campeonatos mais assolados pela crise financeira pós-covid-19. No dia em que arranca a liga que já foi conhecida como "a das estrelas", os 20 clubes gastaram "apenas" 411,7 M€ em reforços, valor inferior ao da Bundesliga (471,5 M€), ao da Serie A (616,6 M€) e ao da Premier League (1 475 M€).

