"No futebol, as regras são demasiado complicadas. Há muitas interpretações"

Lyon-PSG ficou marcado por queixas contra o árbitro
Lyon
Antigo campeão do Mundo e da Europa por França refletiu sobre o clima "insuportável" em torno da arbitragem no seu país, dizendo que a culpa é dos dirigentes de clubes "por terem tornado a profissão de árbitro angustiante e por estarem sempre a criticar"
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Christophe Dugarry, antigo campeão do Mundo e da Europa por França, refletiu esta segunda-feira sobre o clima "insuportável" em torno da arbitragem naquele país, depois de um fim de semana de Ligue 1 que ficou marcado por queixas do Lyon, de Paulo Fonseca, após uma derrota caseira diante do PSG (3-2).
Em direto para o programa de rádio "Rothen s'enflamme", o antigo avançado, de 52 anos, que jogou em clubes como o Bordéus, Milan, Barcelona e Marselha na sua carreira, considerou que "haverá sempre erros" no futebol e que a culpa deste clima tóxico é dos dirigentes dos clubes franceses, por críticas constantes que, na sua ótica, levam a uma relação de "ódio" entre os árbitros e as suas equipas.
"Acho que eles se odeiam, os árbitros odeiam os dirigentes e os jogadores. E os dirigentes e os jogadores odeiam os árbitros. Portanto, já é complicado. Hoje em dia, tornar-se e ser árbitro tornou-se angustiante. Os árbitros tinham prometido comunicar após os jogos quando houvesse erros, mas nunca o fizeram. Agora explicam-me que finalmente vão conversar em dezembro. Foi preciso esperar até 1 de dezembro para haver uma reunião, por falta de um interlocutor. Eles não se falam, detestam-se", começou por apontar, referindo uma reunião prevista entre a chefia de arbitragem e os dirigentes dos clubes da Ligue 1.
"Eu estou zangado com os dirigentes por terem tornado a profissão de árbitro angustiante e por estarem sempre a criticar. Tornou-se insuportável. Se os tipos não querem aceitar que no futebol há interpretações e que haverá sempre erros, então que não se metam no futebol. Porque a arbitragem em todo o lado, em Espanha ou em Inglaterra... É igual em todo o lado. Se um jogador não é capaz de manter a calma e parar de gritar com o árbitro, jogo após jogo, sistematicamente, porque há demasiados erros... Haverá sempre erros, porque é um desporto de interpretação. Eu acho que os dirigentes criaram algo negativo", refletiu Dugarry, apelando a que seja retomado um diálogo dos clubes com estes intervenientes: "É preciso comunicar, é preciso apreciar-se, é preciso respeitar o trabalho de cada um, é preciso tentar compreender, é preciso tentar viver, é preciso uma abordagem totalmente diferente."
A concluir, o ex-dianteiro defendeu que as regras de arbitragem no futebol são demasiado interpretativas, dizendo que têm de ser simplificadas.
"Hoje temos a sorte de ter o VAR, para mim é uma sorte, mas há muitas interpretações dadas pelo árbitro. É preciso simplificar as regras. No futebol, as regras são demasiado complicadas, há demasiadas interpretações. Entre o VAR e o árbitro de campo, há uma interpretação diferente. Só os dois fazem uma interpretação diferente. Como é possível exigir que um árbitro de campo consulte o VAR? Pode haver dezenas de interpretações por parte de uns e outros. Agora que existe o VAR, vamos parar com todas estas interpretações. Não sei como, seria preciso discutir isso durante horas, mas a questão das mãos... Ou há mão ou não há mão. A certa altura, é preciso simplificar, há demasiadas interpretações, é demasiado complicado!", lamentou.

