"Maior e melhor problema que se tem depois de assinar pelo Manchester United é sempre a expectativa"

Diogo Dalot
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Diogo Dalot participou no podcast do Manchester United para uma conversa sobre o bom momento que o clube atravessa desde a chegada de Michael Carrick, mas também sobre o seu dia-a-dia, a sua carreira ao serviço dos red devils e o papel de liderança que hoje tem no balneário
As últimas semanas: "Tem sido bom. Já passei por algumas situações semelhantes, e é sempre difícil porque as mudanças trazem incerteza ao clube, e podem ter dois resultados: trazer mais energia ou sair pela culatra. Felizmente, conseguimos dar a volta por cima rapidamente, tivemos dois jogos muito difíceis que podiam mudar o rumo da temporada, e saímo-nos muito bem. O maior desafio é ir ainda mais longe e ser ainda melhor, por isso diria que nos saímos muito bem num período difícil."
Conhecer o novo treinador ajuda? "Ajuda saber o que se vai ter, porque às vezes não se sabe o que esperar. Com o Michael, soube logo que estávamos a receber uma pessoa calma e que transmite sempre boa energia. Essa é uma das coisas que realmente admiro nele: independentemente da situação, ele está sempre equilibrado e isso passa para nós, jogadores. Ao jogar duas partidas difíceis contra equipas que tenho a certeza que ele sabe muito bem como vencer, ele soube imediatamente o que nos dizer, a abordagem que queria ter. Eu já o conhecia, mas para os outros, ter alguém que já conhece o clube e sabe o que se deve sentir nestes momentos foi realmente útil."
No clube desde 2019, passou por algumas mudanças de treinador: "Eu adoraria ter tido apenas um treinador durante todo o meu tempo aqui, isso é sempre mais fácil. Mas, ao mesmo tempo, também é obrigatório que nos saibamos adaptar, e uma das coisas que tento sempre passar é que não podemos mudar comportamentos ou a maneira como trabalhamos dependendo do treinador. Acho que, a longo prazo, essa montanha-russa não te dá a consistência que deves ter. Desde que cheguei aqui, tentei sempre ser o mesmo jogador, e depois depende do treinador. Ele pode gostar mais ou menos de ti, mas a tua maneira de ser, de te treinares e de te preparares, isso tem de ser sempre igual."
Um dia típico do Diogo Dalot: "Tento sempre manter a mesma rotina. Chego muito cedo, tento começar com um banho de gelo e depois vou para a câmara hiperbárica durante, no mínimo, 40/45 minutos, antes do treino. Se tiver de fazer algum tratamento ou massagem, também o faço e, depois, temos a sessão de treino em conjunto no campo. Depois do treino, depende, porque há dias em que o treino é mais intenso e sinto que o meu corpo precisa de se adaptar e recuperar por si próprio. À medida que nos aproximamos do próximo jogo, é quando faço um pouco mais de trabalho depois do treino."
Melhor momento no United: "O que mais me orgulha é toda a minha trajetória neste clube. Estar na posição em que estou agora, podendo ser titular no United depois de ter passado por todas as situações possíveis no clube - lesões prolongadas, não ser uma opção para o treinador, jogar um jogo aqui e ali, ser titular em todos os jogos - é algo que me tornou muito forte e equilibrado, e isso também me deixa orgulhoso. Depois, se pensarmos em jogos e momentos, não consigo expressar o quanto fiquei feliz e emocionado quando ganhámos a Taça de Inglaterra. Tínhamos ganho a Taça da Liga inglesa, mas percebi que, mesmo para os adeptos, a Taça de Inglaterra era diferente. O maior e melhor problema que se tem depois de assinar pelo Manchester United é sempre a expectativa. Não se assina pelo United sem pensar que se vai ganhar troféus. Não ganhei assim tantos nos meus sete anos aqui, mas joguei cinco finais. Poderia ter cinco troféus. Isso alimenta a energia de saber que podemos competir, saber que provavelmente mudando uma ou duas coisas, sendo mais consistentes aqui e ali, este clube vai ganhar novamente. Isso é 100% certo, não tenho dúvidas."
Ajustes ao futebol inglês: "Quando se chega à Premier League tão jovem, há sempre um choque com a realidade. Por exemplo, pode-se ser muito bom no ataque, mas aqui não se sobe no campo tantas vezes como na liga portuguesa. É preciso ser muito bom na defesa. Na verdade, aprendi a gostar e a ter prazer em defender, e para ser um lateral realmente bom, é preciso saber defender. Tem sido uma jornada muito boa para aprender e me adaptar ao país. Diria que agora estou completamente adaptado e sei o que esperar da Premier League. Acho que é um jogo muito divertido e intenso de se jogar e que se adequa a mim, porque gosto da energia desta liga. Joguei em Itália e digo sempre que lá é mais um jogo de treinadores, aqui é um jogo de jogadores e, se aos 60 minutos estiveres a ganhar 2-0, o jogo continua aberto. Em Itália, 1-0 e está quase acabado, vai ser muito difícil quebrar o adversário."

