Lucas Hernández acusado de tráfico humano em França: há mais revelações sobre o caso

Lucas Hernández
AFP
A mulher que está a acusar Lucas Hernández e Victoria Triay de tráfico humano e de ocultação de trabalho (trabalho ilegal) explicou como foi trabalhar para este casal, revelou quanto recebia e diz que nunca recebeu a documentação para estar legalmente em França. Pouco mais de um ano depois de começar a trabalhar na casa do jogador do PSG, saiu injuriada pela noiva do francês
A mulher que está a acusar Lucas Hernández, jogador do PSG, e a companheira, Victoria Triay, de tráfico humano e de ocultação de trabalho em França falou sobre o caso publicamente, numa entrevista ao jornal espanhol El País. A colombiana contou como foi parar a casa do futebolista internacional francês e revelou quanto recebia, dizendo que a promessa de receber a documentação para que ficasse legal em França nunca foi cumprida.
A senhora, que não quis ser identificada, e alguns familiares trabalharam para o casal Hernández entre setembro de 2024 e novembro de 2025. A denúncia às autoridades foi feita a 14 de janeiro.
"Trouxe a minha família toda para França, porque nos prometeram que nos ajudariam a tratar dos papéis se trabalhássemos para eles. Não foi assim. Agora sabemos que nos estavam a explorar, fazendo-nos trabalhar mais horas do que as permitidas e pagando-nos salários muito baixos por sermos migrantes e vulneráveis. Conheci a Victoria quando ela foi fazer uma cirurgia estética [na Colômbia, há vários anos]. Ficou com o meu contacto e disse-me que gostava muito que eu fosse trabalhar com ela", explicou.
Em 2024, Victoria Tray ligou à mulher para a contratar para ser babysitter da filha e esta aceitou. Na altura a viver em Espanha, em situação irregular, mudou-se para França com a família. O pai e o irmão foram trabalhar como seguranças e a mãe foi fazer limpezas na casa. O outro irmão, menor, era uma espécie de "moço de recados".
A senhora revelou que ganhava dois mil euros por mês, mas que trabalhava quase 24 horas por dia e nem todas as semanas tinha direito a um dia de folga. A mãe e o irmão mais velho também recebiam esse valor, enquanto o pai auferia três mil euros mensais, conta.
Um ano depois de começarem a trabalhar nquela casa, e ainda sem contrato de trabalho, receberam falsos documentos de identidade espanhóis, diz. A verdadeira documentação nunca chegou, explica a mulher de 27 anos.
Em novembro, a família colombiana acabou por deixar a casa dos Hernández. "O chef que trabalhava lá em casa não respeitava a minha família. Disse isso à Victoria Triay e ela respondeu-me que estava farta e que tinha de procurar outro trabalho. No último dia disse-me: 'quando perguntarem por ti, vou dizer que classe de pessoa tu és e vou fechar-te todas as portas para que tenhas de voltar à Colômbia.' Abriu a porta e pôs-me na rua. Poucos dias depois despediram os meus pais e os meus irmãos", revelou.
Estas pessoas continuam em França enquanto o Ministério Público faz a investigação a caso. "Espero que se faça justiça. Mais vale tarde do que nunca", vincou.
De recordar que Lucas Hernández já negou esta acusação de que é alvo.

