"Precisamos de discutir um eventual boicote ao Mundial'2026", diz vice-presidente da Federação alemã

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Oke Gottlich diz que é altura de discutir a hipótese de a Alemanha fazer um boicote ao Mundial'2026, na sequência das declarações de Donald Trump sobre a NATO e a Gronelândia
Oke Gottlich, presidente do St. Pauli e um dos dez vice-presidentes da Federação Alemã de Futebol, tomou uma posição forte na sequência das declarações de Donald Trump, dizendo que é necessário discutir a possibilidade de a Alemanha não se apresentar no Mundial'2026. "Chegou a altura de considerar e debater seriamente a possibilidade de uma retirada em massa do Campeonato do Mundo", referiu.
O dirigente deu uma entrevista ao jornal alemão Hamburger Morgenpost depois das polémicas declarações do presidente dos Estados Unidos da América sobre a NATO e do interesse mostrado na Gronelândia, além da ameaça de imposição de tarifas a oito países europeus que se opuseram à anexação daquele território, que pertence à Dinamarca.
"Quais foram as justificações para os boicotes aos Jogos Olímpicos de 1980? Do meu ponto de vista, a potencial ameaça é maior, neste momento, do que era, na altura. Precisamos de ter esta discussão", apontou, lembrando uma ação de protesto liderada pelos Estados Unidos da América contra a invasão da União Soviética ao Afeganistão, à qual mais de 60 países de juntaram.
"O Catar era demasiado político para toda a gente, e, agora, somos completamente apolíticos? Isso é algo que me incomoda mesmo, mesmo, mesmo (...). Enquanto organizações e sociedades, estamos a esquecer-nos de como impor tabus e limites, e de como defender valores. Os tabus são uma parte essencial da nossa tomada de posição. Será um tabu cruzado quando alguém avança com uma ameaça? Será um tabu cruzado quando alguém ataca? Quando morrem pessoas? Eu gostaria de saber, da parte de Donald Trump, quando é que ele alcançou o seu tabu, e também gostaria de sabê-lo da parte de Bernd Neuendorf [presidente da Federação Alemã de Futebol] e Gianni Infantino [presidente da FIFA]", continuou, lembrando os protestos contra a realização do Mundial'2022 no Catar.
"A vida de um jogador profissional não vale mais do que as vidas de inúmeras pessoas de várias regiões que estão a ser, direta ou indiretamente, atacadas ou ameaçadas pelo anfitrião do Campeonato do Mundo", terminou Oke Gottlich.

