Apesar da violência, Franck Haise continua no Nice: "O que vivemos é inaceitável"

Franck Haise
Nice
Dois jogadores do Nice foram agredidos no domingo por adeptos da própria equipa. A saída do treinador chegou a ser adiantada em França, mas Franck Haise revelou que decidiu permanecer no cargo após dois dias e meio de "reflexão"
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Depois de o Nice ter sido alvo de agressões por parte de adeptos da própria equipa no domingo - Terem Moffi e Jérémie Boga, que apresentaram queixa, tal como Jonathan Clauss -, a saída do treinador Franck Haise chegou a ser avançada em França, mas o treinador do próximo adversário do Braga na Liga Europa revelou esta quarta-feira que, depois de dois dias e meio de "reflexão", decidiu permanecer no cargo.
Em declarações ao jornal L'Équipe, o técnico gaulês não deixou, no entanto, de condenar a violência de que a sua equipa foi alvo no seu centro de treinos após uma nova derrota na Ligue 1 - já são seis seguidas em todas as provas - em casa do Lorient, dias depois de também ter sido derrotado pelo FC Porto no Estádio do Dragão (3-0), na Liga Europa.
"A minha escolha vem depois de dois dias e meio de reflexão. Muita coisa aconteceu desde domingo à noite. O que vivemos é inaceitável, independentemente da profissão que exercemos. É inaceitável ser colocado em perigo físico. Poderia ter havido coisas ainda mais graves. Não se pode ignorar o que aconteceu. Quando ouço dizer que não aconteceu grande coisa... Há jogadores que foram agredidos. Não é por acaso que meteram cinco e sete dias de baixa no trabalho. O diretor-desportivo [Florian Maurice] foi agredido, cuspiram-lhe. Não me digam que isso não aconteceu. É preciso assumir as responsabilidades e isso não aconteceu", lamentou.
"Mesmo os jogadores que não foram agredidos estão chocados. O que teria acontecido se um jogador tivesse reagido? Alguns vieram encapuzados, com bolas de petanca... Era para jogar petanca?", questionou ainda, ironicamente.
Na mesma entrevista, Franck Haise também criticou a falta de comunicação da gestão do grupo Ineos, liderado por Jim Ratcliffe, também dono do Manchester United, treinado pelo português Rúben Amorim.
"Não tenho contacto com o acionista nem com o responsável pelo acionista desde domingo à noite, e fui eu que liguei ao presidente [Fabrice Bocquet] na segunda-feira ao final do dia, porque não conseguia ter notícias de Florian Maurice. Assumo as minhas responsabilidades ao permanecer como treinador. Jean-Claude Blanc [diretor-geral da Ineos] acabou de me mandar mensagem, estamos na quarta-feira de manhã... Eu fico para que todos assumam as suas responsabilidades", apontou, rematando: "Para que um clube funcione, é necessária uma grande força coletiva de cima a baixo: da direção, do acionista, para baixo. Até agora, quem se expressou com mais frequência para dizer que era insuficiente fui eu.".
O Nice, atual décimo classificado da Ligue 1, recebe o Braga no dia 11 de dezembro, tendo antes uma receção ao Angers (domingo) no campeonato. A formação de Haise, onde joga o português Tiago Gouveia, emprestado pelo Benfica, é a única equipa na Liga Europa que ainda não pontuou, estando no último lugar.

