
Incrível atmosfera após a conquista da Taça do Rei
D.R.
Fala sem rodeios da falta duríssima sobre Diego. Rastilho de uma batalha campal numa final da Taça. Goiko aborda o lance que lhe deu uma face de "monstro", mas puxa os galões dos títulos e da classe de jogador que foi no Athletic e na Seleção Espanhola.
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O enredo Maradona faz parte da vida deste grande símbolo do Athletic. Não se encolhe, nem aceita dramatismos. O episódio envolve faísca e mística, uma viagem brutal a 1983, quando uma entrada brutal em setembro alarmou o mundo com Diego tombado e vergado a dores, havia fraturado o tornozelo. "The Butcher of San Mamés" irrompeu pelo The Sun, numa alcunha que nunca foi validada pelo clube, que venerou o seu como El Gigante de Alonsotegui. Goiko recua a esse choque titânico, sem alarme.
"Podia falar muito de Maradona, da lesão. Foi uma entrada arriscada numa zona de campo que não devia ter feito. E, no final, ele saiu lesionado com gravidade. Digo a brincar e um pouco a sério que Maradona só venceu os títulos após essa lesão, não morreu aí! Ainda veio a final da Taça e esse foi o último que fez pelo Barcelona", relembra, desfiando o seu lado. "Segue para o Nápoles, ganha os scudettos e torna-se a figura maior do futebol, sendo campeão do mundo. Foi pena não ter sido uma meia-final com a Espanha, tínhamos caído nos penáltis frente à Bélgica", afere, curvando-se ao estilo inimitável. "Maradona foi um génio, tive a sorte de estar com ele quando voltou a Espanha pelo Sevilha. Veio a Bilbao e falámos da vida. Ele podia ter sido o melhor embaixador do futebol, como outros o foram com menos nome. Mas iniciou outra forma de viver. Tive pena, porque dividi o campo com ele e sei o que era sofrer com as suas jogadas. O melhor dos oitentas", vinca Goiko, que olha diariamente para as chuteiras desse jogo terrível para Maradona. O basco trata o par de calçado como dádiva de museu. A crispação e animosidade entre os clubes cresceu até uma grande 'batalha', quando o Athletic venceu o Barça na final da Taça, selando a dobradinha.
O antigo defesa refuta agitação com o rótulo que o apanhou. "Todos falam do carniceiro. Mas falam de forma ligeira. Foi uma entrada dura, mas a minha vida futebolística não é a falta sobre o Maradona. Tive a sorte de ser um 10 quando comecei, um jogador com golo, que os fazia de cabeça e com o pé. Um treinador colocou-me a central pela esquerda e nessa posição é que me consagrei, mas com técnica e uma esquerda fantástica. Sou o defesa do Athletic com mais golos na história, 44", rebobina, frio a ler a disseminação da fama de jogador mais violento do mundo. "Essa entrada confunde algumas pessoas, mas a alcunha nunca me incomodou, foi colocada por um jornal sensacionalista como o The Sun."
Colónia lusa em Salamanca
Goikoetxea foi colega de Futre nas últimas três épocas da sua carreira no Atlético de Madrid. "De Futre só posso falar bem, um companheiro genial, generoso, e um personagem. E sempre de cigarro na mão", regista, reclamando, contudo, uma retrospetiva de outra fita. "A minha experiência com portugueses cruza-se muito com Salamanca, quando sucedi ao João Alves. Entro na 2ª Divisão, a equipa estava mal. Era um plantel maioritariamente composto por jogadores trazidos pelo Luvas Pretas. Tínhamos de ganhar e ganhar, acabamos por ganhar tantas vezes que subimos", expressa, dissecando o plantel. "Recordo com imensa alegria Paulo Torres, Taira, que tinha muita categoria, Giovanella, Agostinho, que era um personagem que se metia com toda a gente. O Catanha, Pauleta, o ciclone dos Açores, e César Brito, que me marcou imenso. Era esperto, experiente, sabia dosear o esforço e marcava imensos golos. Uma grande mais-valia. Num segundo ciclo apanho o Rogério, outro grande profissional. Resumo o português pela seu nacionalismo positivo no campo. Senti isso em jogos de seleções jovens."

