
REPORTAGEM, PARTE II - O compromisso de Blopa com o futebol manifestou-se desde muito cedo, e levou-o a ser encarado como um líder pelo exemplo. Habituado a jogar entre colegas mais velhos, pela qualidade que aconselhava a queimar uma ou outra etapa, o jovem extremo, ainda assim, destacava-se pela forma como se entregava nos jogos.
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A atitude competitiva e humilde de Salvador Blopa, nos jogos ou nos treinos, não é fruto do acaso, nem uma virtude recém-adquirida. Jorge Martins, antigo treinador do extremo, enalteceu a forma como a atitude do jovem contagiava a sua equipa.
"Ele era muito líder pelo que fazia, pela atitude que colocava em campo, pela forma agressiva, no bom sentido, como disputava os lances, e pela vontade que mostrava, sempre. Na altura, entre ir a uma festa de anos, ou ir para um jogo, ele ia sempre para o jogo. Até nos jogos de treino, ele chegou a ter festas de anos nesses dias e disse "não, quero ir jogar". Essa atitude, essa forma de estar, foi sendo tomada como uma forma de liderança pelos colegas. Tínhamos outros meninos que eram mais líderes pela forma como falavam, mas ele era líder pela forma como estava em campo e nos treinos. Depois, os outros miúdos iam atrás."
O contexto do Fontainhas, clube da zona de Cascais onde morava, levou a que Blopa fosse utilizado regularmente em escalões superiores aos da sua idade, tal era a forma como se destacava dos jovens com o mesmo ano de nascimento: "Fazíamos questão que os miúdos passassem por todas as posições, mas, nos jogos mais difíceis, metia-o lá na frente. Ele resolvia, era brincadeira. Ele jogou a defesa, médio-centro, ala, avançado. Na fase final do campeonato, apanhávamos equipas como o Sporting e o Benfica, aí ele jogava sempre lá à frente, e desequilibrava. Ele jogava sempre com os miúdos mais velhos, defrontava miúdos mais velhos do Benfica e do Sporting, e conseguia ter sucesso. No futebol de 7, ele tinha algum espaço e fazia a diferença. O nosso registo era mais baixo, o que conseguíamos fazer era colocá-lo a jogar contra miúdos mais velhos, um ou dois escalões acima."
Jorge Martins descreveu, em conversa com O JOGO, um golo caricato de Blopa, que comprova os recursos técnicos que o ala detinha desde tenra idade: "Quando era miúdo, ele fez um golo com o Sacavenense em que passou por toda a gente a fingir que rematava com um pé, e a puxar para o outro, tinha 10 ou 11 anos. Ele tinha vários recursos, até chutava de bico, era o que fosse preciso."

"O Sporting deixou-o confortável"
O jovem avançado sentiu uma ligação especial ao clube leonino, nos primeiros treinos.
Natural de Cascais, Salvador Blopa mostrou, como seria de esperar, algumas reticências em sair de perto da sua família para rumar ao Sporting. No entanto, acabou mesmo por rumar aos leões: "Ele foi treinar lá e gostou. Treinou em vários sítios, mas, quando chegou ao Sporting, gostou da maneira como foi tratado, dos colegas que tinha lá, o treinador. Ele gostou de qualquer coisa lá, que o deixou mais confortável. Ele assinou com o Sporting, mas voltou para o Fontainhas. Foi um ano de preparação, ele tinha a preocupação de ajudar os colegas, queria estar mais um ano a ajudá-los. Fez o último torneio connosco em Braga, e foi o melhor jogador do escalão de 2006", contou Jorge Martins.

