"Não faço muitos planos. Enquanto tiver pernas para correr atrás dos mais novos..."

Kaká, à direita
Associação Académica de Coimbra/OAF
Kaká, lateral-esquerdo de 33 anos, chegou do U. Leiria para tentar ajudar a Académica a intrometer-se na luta pela subida. A competir na Liga 3 desde 2022/23, a Briosa vai à etapa de subida com uma sequência de 11 jogos sem perder, ainda com a última ronda da primeira fase por jogar.
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Foi em 2021/22 que a Académica desceu da II Liga para a Liga 3. Apesar do peso histórico do principal emblema de Coimbra, a Briosa não mais conseguiu voltar, pelo menos, ao segundo escalão do futebol português e, em três épocas, só por uma vez logrou chegar à fase de subida. Ora, em 2025/26, a esperança de recuperar alguma da glória perdia reacendeu-se com o apuramento para a etapa de promoção.
Kaká, lateral-esquerdo de 33 anos contratado à U. Leiria no verão passado, trouxe na bagagem subidas por Vizela e, precisamente, pelos leirienses. A O JOGO, descreveu o sentimento de dever cumprido pelo grupo ter alcançado o "objetivo de fazer melhor que na época passada" e deixou elogios à Direção pela "estabilidade" que tem proporcionado ao grupo. À entrada para a última jornada da primeira fase, a turma de António Barbosa não perde há 11 jogos e venceu três dos últimos quatro. Com isso, a onda de apoio na cidade tem crescido e Kaká fala de uma "força extra" que espera que cresça ainda mais quando chegarem os encontros decisivos. Encher o Municipal de Coimbra, com capacidade para quase 30 mil pessoas, é outro dos anseios.
A Académica está na fase de subida. É um sentimento de primeiro dever cumprido da temporada?
- Sim, tínhamos como objetivo fazer melhor que na época passada, ou seja, ficar nos quatro primeiros lugares era o objetivo para esta fase da competição.
Não perdem há 11 jogos e chegam a esta reta final da primeira fase com três vitórias nas últimas quatro partidas. Considera que a etapa de subida vem na vossa melhor fase?
-Estamos numa boa fase, mas quero salientar que isto foi tudo um processo. Um processo de muito trabalho dos jogadores, além da equipa técnica e da Direção, que sempre nos deram estabilidade para crescermos e confiança para enfrentar qualquer desafio.
Por outro lado, haverá uma paragem no campeonato. Isso pode-vos ser prejudicial?
-Não penso dessa forma. Esta paragem serve para nos fortalecer ainda mais e nos prepararmos para a fase seguinte, que vai ser difícil também.
Paralelamente, a onda de apoio em torno da equipa tem aumentado. A força do clube e das suas gentes poderá ser uma ajuda extra na luta pela II Liga?
-Nós sentimos esse apoio por parte dos nossos adeptos e das pessoas de Coimbra. Sentimos a força deles tanto em casa como nos jogos fora. Têm sido incansáveis.
O Kaká já subiu em Leiria e em Vizela. Que importância tem ter jogadores com a sua experiência quando chegarem os jogos decisivos?
-Sou defensor que num balneário deve haver um misto de jogadores experientes e jogadores jovens. E que esses jovens que querem evoluir e que tenham vontade de ter sucesso, sejam ao mesmo tempo humildes. E nós temos isso no nosso balneário. Noto que eles ouvem e querem aprender com os mais experientes como é o caso do Marcos Paulo, do Candeias, do Edson, do Baixinho e do nosso capitão Leandro Silva. Nesse aspeto temos de dar mérito à Direção e à equipa técnica que construiu o grupo.
Aceitar o convite da Académica foi com o intuito de devolver a Briosa à II Liga?
-Aceitei o convite da Académica não só por ser um clube histórico, mas pelo projeto em si, pela estabilidade e pelas condições que a Direção dá para conseguirmos dar o nosso melhor diariamente. Assim, ficamos sempre mais perto de ter sucesso.
Subir por um clube como a Académica seria uma cereja no topo do bolo na sua carreira?
-Neste momento, estou focado jogo a jogo, em dar o meu melhor em prol da equipa e de todas as pessoas ligadas ao clube.
Que mensagem pode deixar aos adeptos antes de começar a fase de subida?
-Têm sido uma força extra. Em todos os estádios em que jogamos, sentimo-nos sempre a jogar em casa e que em nossa casa consigamos encher o nosso estádio. Passo a passo, jogo a jogo, todos juntos.
Tem curso de treinador, mas vê-se como diretor-desportivo
Aos 33 anos, Kaká pensa no futuro para além da carreira de jogador. Por isso mesmo, já tem o nível dois de treinador, embora veja-se a manter-se no futebol noutras funções. "Vejo-me mais como diretor-desportivo, mas nunca se sabe o que a vida nos reserva", reflete. Natural de Vizela, começou a dar os primeiros pontapés na bola no clube da terra e mudou-se para o V. Guimarães quando era sub-17, onde concluiu a formação. Enquanto sénior, representou Limianos, V. Guimarães B, Belenenses, Marítimo B, U. Leiria, Vizela e Olhanense. Sabe que, a esta altura, a carreira está na reta final, embora não tenha definido o 'timing' para deixar de jogar. "Normalmente vivo o dia a dia. Neste momento, não faço muitos planos, sempre disse que enquanto tiver pernas para correr atrás dos mais novos, sentir paixão e continuar a querer ter sucesso, vou-me deixando ir", atira.

