Mourinho: "Parecia que perder por menos de cinco era bom para nós... Não foi assim"

José Mourinho
Mário Vasa
Declarações de José Mourinho após o dérbi Benfica-Sporting (1-1), da 13.ª jornada da I Liga
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Este empate foi aceite por Rui Borges, coloca a luta do Benfica pelo título em causa? "Não, o Rui normalmente é super correto nas análises que faz e é difícil para um treinador dizer que o adversário foi mais forte e merecia ganhar, mas também aceito que ele tenha dito que o resultado se aceita e que o Sporting teve dificuldades, mas nunca perdeu a estabilidade. Teve um banco fortíssimo que tenta mudar o cariz do jogo. Nós, quando o Enzo tem cãibras e tem de sair, entra o Manu que evidenciou as dificuldades que ainda tem neste momento. O Sporting fez o jogo que conseguiu e não acho que tenha vindo para empatar, acho que foram condicionados e que saem com o empate, que lhe satisfaz, mas não acho que tenham jogado para o empate. Considero na luta, pode ser desigual, mas considero na luta. Estamos a três pontos do Sporting, a cinco do FC Porto, com um jogo a mais, que se pode transformar em seis, oito ou pode continuar a cinco, mas mesmo que sejam oito, considero que a equipa está cada vez melhor, com as suas limitações, que tenta esconder, mas é uma equipa, joga como equipa, interpreta o jogo como equipa e sabe enfrentar dificuldades e momentos maus como equipa. Acho que esta semana parecia que o Sporting vinha - e digo isto com todo o respeito pelo Sporting, que foi extremamente correto na forma como falou e se apresentou -, mas parecia que [uma derrota por] menos de cinco [golos] era bom para nós, que parecíamos uma equipa de coitadinhos, que a segunda equipa do Sporting vinha cá e ganhava fácil... Não foi assim e somos uma equipa séria e que cresce."
Rodrigo Rêgo passou de titular a não utilizado. Não era o jogo ideal para ele? "O Rodrigo Rêgo passou de andar escondido nos sub-23 e na equipa B e de nunca ser chamado à Seleção a numa semana jogar no Benfica, na Champions, na Taça de Portugal e no campeonato. Essa é a trajetória do Rêgo que merece ser realçada."
Empate pode ter impacto na equipa para a Champions? "Penso que não tem impacto. Se o Sporting era uma equipa difícil, o Nápoles também é, com um treinador [Antonio Conte] que conheço bem e que é um grande treinador e estratega e que prepara as suas equipas muito bem. Não vejo como este jogo possa ter impacto, se tiver, será a positividade de uma equipa que, mesmo numa situação difícil, consegue sair dela, dominar o jogo e chegar quase à vitória. Só podem ser coisas positivas e nenhuma negativa."
Só fez a primeira substituição aos 81 minutos, porquê tão tarde? "O treinador sou eu, sou eu que decido e que leio o jogo. Sou eu que tomo decisões e estou absolutamente convencido... Não posso fazer de idiota e dizer que ganhava se estivesse 11 contra 11 até ao fim, porque a minha missão é mais difícil do que a dos comentadores, que fazem sempre fenómeno. Estou convencido de que as alterações são no momento certo, que o Prestianni entra quando o Fresneda já está com dificuldades e com amarelo. Depois entra o Ivanovic que é um jogador de profundidade, que não tem qualidades para baixar e jogar a bola no pé e ligar jogo como o Pavlidis, mas que tem qualidades para atacar o espaço e naquela parte do jogo era o que tínhamos preparado. Repito, não quero dizer que íamos ganhar, mas fiz as substituções na hora certa, sem perder o equilíbrio da equipa e as pessoas às vezes erram ao olhar para a coisa, porque quando uma equipa está bem, é superior e está mais perto de ganhar, um treinador anjinho que é pressionado por ideias como a sua ou de alguém que lhe telefona e diz para a perguntar, às vezes [esses treinadores] estragam o que está bem. É preciso tranquilidade no jogo e fazer o que o treinador acha que é a coisa correta a fazer."

