
Mário Vasa
Após a derrota com o Braga, para a Taça da Liga, o grupo manteve-se em atividade e assim continuará até visitar o Dragão, na quarta-feira. Treinador aproveita a semana mais "limpa" desde que chegou para tirar o máximo proveito do trabalho a pensar já na decisão dos "quartos" da Taça com o FC Porto e no pesado calendário do mês.
Consumada a derrota ante o Braga, na meia-final da Taça da Liga, que afastou o Benfica da defesa do troféu conquistado na época passada (ante o Sporting), o plantel encarnado deixou Leiria diretamente para o Seixal. José Mourinho e, depois, o presidente Rui Costa, garantiram que não se tratou de castigo pelo desaire, porque seria esse o destino caso tivessem ganho aos bracarenses, mas a realidade mostra que, além dessa pernoita no Benfica Campus, o grupo de trabalho prosseguiu a preparação e sem qualquer folga programada nos próximos tempos.
Castigo ou mero aproveitamento do tempo, o plantel manteve-se em atividade, iniciando de imediato a preparação com vista à deslocação de quarta-feira ao Estádio do Dragão, onde decidirá com o FC Porto quem segue para as meias-finais da competição que os encarnados perderam na final da temporada passada diante do Sporting. Três dias depois, o Benfica volta a entrar em ação, em nova deslsocação, desta feita ao recinto do Rio Ave, antes de iniciar a operação Champions, com viagem até Turim para defrontar a Juventus, no dia 21.
Tendo em conta a eliminação e o calendário apertado que se segue, José Mourinho entendeu que este seria um bom período para preparar as tropas para as batalhas que se seguem. Aliás, desde que chegou ao Benfica, esta será a maior semana de trabalho de que dispôe o técnico para procurar intensificar a assimilação das suas ideias pelos jogadores. Desde 18 de setembro, o Special One nunca teve um período tão "limpo" e alargado com todo o grupo, dado que as semanas com maior disponibilidade aconteceram em pausas para compromissos das seleções e grande parte dos jogadores estavam convocados ou havia futebolistas ainda condicionados com problemas físicos.
Agora, mesmo com algumas lesões (e o castigo de Otamendi) ainda a causarem dificuldades, José Mourinho teve tempo para procurar soluções e preparar o novo embate com o FC Porto, depois de ter alcançado um nulo na visita, em outubro, ao Dragão, para o campeonato, de onde saiu com um ponto no bolso na sequência do 0-0 averbado. Quarta-feira será a eliminar e o técnico setubalense terá de mexer na equipa, além de ter de levantar o moral das tropas, ferido pela eliminação diante do Braga.
Equipa A e bês desfalcam sub-23
Formação de Vítor Vinha, que arranca amanhã a fase de campeão, também alimenta os juniores
A segunda fase da Liga Revelação, para equipas sub-23, arranca na terça-feira, com a formação do Benfica a defrontar o Torreense na etapa que irá determinar o campeão da categoria, enfrentando os encarnados um desafio ao qual José Mourinho aludiu recentemente. As lesões (e castigos) que têm afetado o plantel principal obrigaram o Special One a puxar jovens da formação, o que afetou diretamente os bês, como o próprio reconheceu, mas o efeito dominó sobrecarrega os sub-23, que funcionam como elo de ligação desde os juniores até à equipa A.
Sempre que a equipa A recorre aos bês, esta compensa e reforça-se naturalmente com jogadores provenientes dos sub-23, numa lógica interna que é pensada para garantir continuidade competitiva e desenvolvimento dos atletas, mas que permite perceber que é este plantel orientado por Vítor Vinha aquele que se assume como suporte estrutural e será afetado pelos objetivos a alcançar pela formação principal.
Por exemplo, caso a equipa A não garanta a presença na próxima edição da Liga dos Campeões - possibilidade que tem risco sério de acontecer -, para o Benfica disputar a edição da UEFA Youth League na próxima temporada os juniores terão de se sagrar campões nacionais e de modo a reforçar as suas ambições "pescam" nos sub-23 os jogadores mais preparados, competitivos e já adaptados às exigências do clube.
Na prática, os sub-23 alimentam a equipa B e reforçam os juniores, de forma contínua e estratégica. Nas últimas semanas, por exemplo, Edokpolor passou a ser chamado regularmente aos bês, tal como José Neto, que também entra nas contas dos principais, enquanto outros campeões do mundo de sub-17, como Mauro Furtado, Rafael Quintas, Tomás Soares e Anísio Cabral foram chamados para o encontro de juniores com o Sporting.
Este é, assim, o contexto que influencia o trabalho do técnico Vítor Vinha na entrada para a segunda fase da Liga Revelação e que poderá dificultar a obtenção de resultados do mesmo calibre aos alcançados na primeira metade da época - ficaram em primeiro na Série B - ao serviço desta equipa intermédia que, afinal, é a base do edifício.

