
Wesley deixou o Brasil e chegou a Portugal com o firme propósito de vingar como guarda-redes. Soma para já 11 jogos pelo Leixões na Liga Revelação
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Saiu do Brasil no início da época com uma convicção bem definida: era o momento certo para arriscar. Wesley atravessou o Atlântico sem garantias, mas com a consciência de que, para um guarda-redes, crescer implica errar pouco e aguentar muito. O Leixões abriu-lhe a porta da Europa e o brasileiro começa agora a afirmar-se em Portugal, sem esquecer o caminho que o trouxe até aqui. Antes de chegar a Matosinhos, houve sacrifícios que marcaram o processo.
"Quando estava nos sub-17, vivia uma rotina escrupuloso. Fazia deslocações longas, com madrugadas passadas em transportes públicos. Apanhava vários autocarros para conseguir treinar e competir. Foi uma fase de correria persistente e de aprendizagem acelerada, dentro e fora do campo, mas tudo isso ajudou a moldar-me", conta a O JOGO.
Curiosamente, a baliza não foi o ponto de partida. Wesley começou por jogar mais adiantado no terreno e ainda hoje, em contextos informais, gosta de se soltar como goleador. "Eu jogava a ponta de lança. Hoje, quando faço umas peladinhas, ainda jogo lá à frente. Mas, na formação, surgiu a oportunidade de vestir as luvas. Disseram-me que aprendia rápido e que podia ter sucesso na baliza. E a verdade é que estou aqui", recorda.
Natural de um país onde o futebol é excesso, ruído e sonho desde a infância, Wesley formou-se no Grémio Anápolis antes de aceitar o desafio de vir para Portugal. O interesse do Leixões não surgiu de forma repentina. O clube acompanhava-o há algum tempo e, quando o convite chegou, o guarda-redes sentiu que a carreira pedia "outros voos". "Nunca pensei que pudesse correr mal. Arrisquei, mas nunca pensei de forma negativa. Sempre acreditei que ia dar certo. Gosto de desafios e gosto da pressão, sobretudo sendo guarda-redes, onde sabemos que não há margem para errar", explica.
Na presente temporada, o guarda-redes brasileiro soma 11 jogos na Liga Revelação, numa campanha consistente do Leixões, que ocupa o quarto lugar da fase de apuramento de campeão. A prova, que Wesley elogia pela qualidade e pelas oportunidades que oferece aos jovens, tem servido de palco para afirmar um perfil muito próprio: um guarda-redes comunicativo, intenso e permanentemente ligado ao jogo. "Sou muito chato, falo muito, grito muito", diz, com um sorriso implícito. "Quanto mais se comunica, menos se sofre e mais segurança se transmite à equipa. Gosto de pensar assim".
Trabalha à porta da equipa A e espera ainda pela estreia
O crescimento não passou despercebido internamente. Wesley, por vezes, trabalha com a equipa A, mas ainda não se estreou oficialmente. A ansiedade existe, como em qualquer jogador, mas é controlada. "Aprendi a respeitar o tempo do processo, consigo esperar. Acredito que a oportunidade chegará quando tiver de chegar, e sei que vou estar mais que pronto", remata o guarda-redes brasileiro.
