Treinador do Benfica faz a antevisão ao encontro com o Gil Vicente (sexta-feira, 20h15, no Estádio da Luz) a partir das 15h00
Chaves na Taça de Portugal: "O sorteio é bom para o Chaves, que tem um jogo grande em sua casa e é bom para os benfiquistas transmontanos, é a oportunidade de nos terem lá. Para nós é complicado do ponto de vista desportivo, do ponto de vista logístico - viagem Champions League dois ou três dias depois -, é complicado mas olhamos para o lado positivo da coisa. Festa da Taça, ainda por cima em locais, como é o caso de Chaves, que não tem futebol na I Liga."
Como está a equipa? "A equipa está bem, preparada para amanhã. Podia estar a enunciar uma dezena de coisas negativas, pouco tempo de preparação e treino, deceção do último resultado, mas não o quero fazer. A equipa está bem, estamos a preparar-nos o melhor possível, agarramo-nos muito às coisas boas que fizemos e debatemos as coisas más. Tenho a convicção que amanhã pode ser um dia bom para nós."
Benzema? "Benzema foi a primeira vez que ouvi o nome e a hipotética possibilidade. Jogámos em jogo particular no Algarve contra a sua equipa, estivemos a conversar um bocado, acho que a última coisa que está no horizonte do Benzema é regressar ao futebol europeu e a uma equipa como a nossa, que joga ao mais alto nível. Acho que vai ficar ali, tem sido feliz, tem ganho títulos, situação económica invejável. Não penso que o objetivo é regressar. Se falar de miúdos mais novos, sim, jogadores como Benzema, não. Quase que arriscaria que não há nenhuma possibilidade nem entendo muito bem como o nome dele chegou a esta situação."
Lukebakio titular? Alterações? "Não tem gasolina para 90 quilómetros. Tem gasolina para 45, e depois se tiver o híbrido ainda vai um bocadinho mais. É uma opção que temos de tomar, analisar bem. Amanhã seguramente os jogadores já vão aparecer em melhores condições. Vamos treinar de manhã e depois do treino tomaremos essa decisão, mas com a convicção que não tem gasolina para correr 90 km."
Prestianni vai ao Mundial sub-20? "Vai. É importante para ele e para o Benfica. É uma posição em que temos outras opções. Obrigá-lo a ficar, eventualmente não lhe dar muitos minutos durante esse período não me parece ser uma decisão correta. Toda a gente gosta de jogar na sua seleção. Ele vai, amanhã está convocado mas depois irá."
Aursnes e Obrador: "Sim, é importante [Aursnes] estar em campo. É um jogador que permite que tudo aconteça no jogo, temos uma solução alternativa que pode compensar toda a imprevisibilidade que pode acontecer. Preciso de conhecer melhor o Obrador. Analisei vídeo no jogo que ele fez contra Tondela, vi jogos no Deportivo, é um jogador que preciso de conhecer melhor. Sabia que o Aursnes me podia dar aquilo, pensei que podia jogar mais por dentro. Ele dás-nos garantias em todas as posições. Preciso mesmo de conhecer melhor Obrador, é o jogador que conheço menos, até pela personalidade. É um rapaz introvertido, reservado e isso transmite-se no treino. Tenho de o ajudar a ser mais ele próprio e a perder a "vergonha" e poder mostrar mais o potencial que tem."
Falta de presença de jogadores de área. No topo das prioridades está um jogador que dê mais presença na área? "Nem sequer penso no mercado de janeiro. Disse que o Benfica tinha um bom plantel e continuo a achar. Os três atacantes são três bons atacantes. Quando falo de presença na área, digo um determinado tipo de fiscalidade, de jogo diferente do que estes três apresentam. Quando se joga contra uma muralha defensiva como contra o Rio Ave e estamos no último terço, às vezes não consegues entrar em combinação, apoios, em profundidades curtas. Uma presença de um jogador deste tipo vale um golo, dois pontos, e isso é óbvio que não temos. Agora longe de mim pensar no mercado de janeiro e pedir alguma coisa. O meu trabalho não é pedir, o meu trabalho é desenvolver ao máximo que temos e ajudar os jogadores a melhorarem coletivamente e individualmente, é a minha missão."
Ainda não começou o trabalho no Benfica: "Ainda não comecei o trabalho aqui. Joguei aqui sete ou oito jogos. Estou mais focado nos adeptos, nos jogadores, penso mais neles do que em mim. E sinceramente é um bom sentimento."
Queixa da APAF: "És o único que me trata por senhor, fazes-me sentir velho. Trata-me por míster... Agradeço, mas trata-me por míster que fico contente. É mais fácil assim. Tenho de me adaptar. Tenho-me tentado adaptar a todos os níveis aos locais onde trabalho. Agora a liga portuguesa é algo novo para mim. Tenho muito claro que a ofensa pessoal, pôr em causa a dignidade das pessoas... Tenho muito claro que não o posso fazer e não o fiz. Se não posso criticar o trabalho de um árbitro, da mesma maneira que milhões de pessoas criticam o meu trabalho, não penso que seja muito democrático. Sinto que não fiz nada que justifique algum tipo de ação. Lembro-me de ter dito que o árbitro não teve influência nenhuma no resultado do jogo. Na minha opinião nem sequer disse que o golo devia ter sido validade. Disse que é o futebol dos dias de hoje. Não penso que tenha tido nenhum tipo de declaração justificativa. Se é assim e quiserem ser objetivos e dizer que é proibido falar dos árbitros, tornam a nossa missão mais fácil. Se alguém me der uma diretiva dizendo que é proibido analisar o trabalho dos árbitros acho que facilita muito a vida."
Críticas a Richard Ríos: "Vejo razões para eu o ajudar muito, para tentar tirar o melhor dele, para tentar não pedir coisas nas quais ele tem alguma dificuldade... Vejo razões para analisar muito, estar muito perto dele, proteger ao máximo e ao mesmo tempo tentar que ele mostre o que de bom tem e esconda o que menos de bom tem. Quando se pede a um jogador para fazer coisas que o jogador não é famoso a fazê-las, é criar uma situação de instabilidade onde o jogador se vai afundando do ponto de vista emocional. Parte do treino de hoje que fizemos com ele foi tentar pedir coisas nas quais ele se sinta confortável e nas quais aos pessoas possam rever o bom jogador que ele é. Há sempre relação direta entre o que as pessoas esperam e o preço que se pagou. Quando entra em campo entra com um autocolante nas costas com os milhões que se pagaram pela sua transferência. Não vou ser eu a criar mais pressão no jogador. Se me perguntar quem joga amanhã, até porque não sei a 100 por cento, mas o Ríos joga de certeza."
Declarações de André Villas-Boas: "Totalmente de acordo com o presidente André. Acho que deve ser assim. Se for recebido como todos os treinadores do Benfica, com respeito, com educação, sem amor, sem carinho... Estou absolutamente de acordo. Se viesse aqui ao Estádio da Luz um treinador com uma história grandiosa no clube e antes do jogo fosse recebido de maneira gloriosa, eu não ficaria muito contente. É reflexo do FC Porto, um clube extremamente competitivo. Absolutamente corretas as declarações de Villas-Boas. Ingratidão de quê? Ingratidão nenhuma. Eu fiz lá a minha história, eles fazem parte dela. Eu sei eles só tinha ganho uma Champions, eles sem mim tinham ganho só uma com Artur Jorge. Fizemos história juntos. Sou amigo do presidente do FC Porto, acredito que ele dirá o mesmo. Naquelas circunstâncias eles querem ganhar e nós queremos ganhar. Para mim é absolutamente correto nas declarações."
Qual a melhor arbitragem? Turca ou portuguesa? "Eu antes do jogo não falo de árbitros. Eu não tenho intenção de hostilizar, de criar antagonismo nem ambiente negativo. Nunca falo dos árbitros antes do jogo. Depois do jogo sinto-me às vezes no direito de elogiar, que é um prazer elogiar árbitros, ainda mais quando perco. Perdi com o Feyenoord antes de jogar com o Benfica e elogiei o trabalho do árbitro em Roterdão depois de uma derrota. Depois do jogo se alguém disser que não se pode falar do árbitro eu não falo. Se sentir liberdade no meu comentário ao jogo e dizer alguma coisa, tenho o maior prazer, porque poderei até ajudar em alguma coisa. Agora comparar acho que não entra nada aqui. A única coisa que desejo é que no fim do jogo com o Gil Vicente eu possa dizer que o árbitro foi um grande árbitro. É a coisa que mais prazer me dá."
Quando é que o Benfica vai ter o cunho de José Mourinho? "É muito difícil afinar, porque quanto mais jogamos, mais fadiga. Mais fadiga significa menos trabalho de campo, menos trabalho de campo significa afinar só em reunião, em grafismo, que não acredito muito. É uma parte mínima da educação técnica e tática de um jogador. Nesse sentido não é que tenhamos muito mais a acrescentar. Mas analisar ajudar. Vamos tentar não cometer os mesmos erros que cometemos. Se repetes significa que o nível não é muito alto ou que temos algum problema cognitivo. Erros vamos cometendo, cometer sempre o mesmo é que não. Esperamos obviamente que erros que cometemos que não voltemos a cometer. [tempo?] Honestamente não sei. Jogamos com o Chelsea na terça-feira, com o FC Porto três dias depois, os jogadores desaparecem para a Seleção, já me disseram que vamos fazer peladas 8x8 durante 15 dias, mas são seis treinadores e dois jogadores. Com o Aursnes e um gajo qualquer que não sei quem é. O diretor Mário Branco acertou na mouche no sorteio da Taça de Portugal. Não ajuda nada. Depois vamos ao Newcastle. Por isso é que se usa normalmente a pré-época para definir princípios. Nesta altura não é fácil para um jogador. Tenho de ser positivo e dizer que amanhã já um bocadinho mais parecido com o que eu gosto."
Gil Vicente: "Parabéns ao César, que é um dos meus muitos jogadores que virou treinador. A equipa é boa, tem dedo de treinador, é uma equipa bem organizada. Não são só jogadores bons, é uma equipa boa enquanto equipa. A última vez que estive com o César foi na final da Champions. Vai ser um prazer estar com ele. Vamos lá. Precisamos de ganhar e temos de pensar que vai ser amanhã."
Bruno Lage não considerava Leandro Barreiro um médio-defensivo. Pode ser substituído de Enzo Barrenechea? "Seguramente o Bruno conhece os jogadores melhor do que eu. Analisei-os a jogar contra, ele trabalhou com eles meses, horas e horas. Estou de acordo no sentido que o Leandro é um jogador com bom timing de chegada na área, se estiver mais preso sofre um pouquinho, mas por exemplo nas Aves ele foi para a posição 6. É um jogador disponível, um bom soldado, tenta cumprir o que se lhe pede, é rápido, tem uma boa transição defensiva, seguramente pode-se transformar num médio defensivo, mas tem mais intenção e é perigoso a chegar a partir de trás."
Falou de alguma ingenuidade: "Disse-lhes diretamente, mas no dia seguinte. A decepção era grande, os jogadores envolvidos na situação estavam verdadeiramente em baixo. Naquela altura, mais do que uma crítica precisavam de uma mão, que todos nós dividíssemos a responsabilidade. No dia seguinte sim. Disse-lhes que sou muito direto, que lhes direi muita coisa boa e muita coisa má. É uma situação que não deve voltar a acontecer. Disse-lhes que pode acontecer voltarmos a sofrer um golo no último minuto, mas não em transição. Conversámos sobre isso e tentámos melhorar."

