
Ricardo Pereira esteve na derrota do FC Porto com o Liverpool, na época passada, e acredita que um resultado tão pesado não se repetirá
Ricardo esteve na eliminatória da época passada e recorda que a diferença entre Liverpool e FC Porto não é assim tão grande. Memória do resultado do Dragão ajudará agora a um desfecho bem diferente
Se procurarem um jogador que, em menos de um ano, tenha empatado duas vezes em Anfield, não vão encontrar além do agora jogador do Leicester. O JOGO contactou-o e puxou-lhe pela memória, até a propósito das dificuldades que agora Sérgio Conceição tem para as laterais. Ricardo lembra a importância de Alex Telles, mas também a experiência que o FC Porto ganhou com o trauma de 2017/18.
Como olha para esta eliminatória e para as possibilidades do FC Porto?
- Vai ser um bom jogo. Nesta fase não havia boas equipas para calhar em sorte. É praticamente impossível acontecer o que aconteceu na época passada, naquele jogo tão desnivelado, porque a diferença das equipas não foi assim tão grande. Foram os detalhes que resolveram. Vai ser uma boa eliminatória.
Partindo da experiência da eliminatória da época passada e daquele resultado, que tipo de lições o FC Porto pode colher para agora fazer melhor?
- Essa eliminatória vai ajudar para que não sejam cometidos erros do passado. Isso trouxe experiência à equipa, que já não é primeira vez que joga a este nível. A Champions resolve-se nos detalhes e a experiência é fundamental. O FC Porto já vai estar prevenido para isso, porque sabe que cada erro a este nível custa caro.
Com bola, vai ser importante que o FC Porto esteja equilibrado e não deixe sair o Liverpool em contra-ataque. Os três da frente são muito bons nisso
Conhecendo agora o futebol inglês a fundo e estando numa equipa [Leicester] que se consegue bater com as de topo - empatou em Liverpool, por exemplo -,o que faz falta às equipas portuguesas para conseguirem o mesmo e discutirem uma eliminatória destas de igual para igual?
- A intensidade é importante. Não cometer erros é essencial, especialmente contra uma equipa como o Liverpool, que explora muito as transições ofensivas. Com bola, vai ser importante que o FC Porto esteja equilibrado e não deixe sair o Liverpool em contra-ataque. Os três da frente são muito bons nisso. É fundamental não perder a bola facilmente.
O FC Porto está condicionado nas laterais. Como é que um lateral resolve a dificuldade de ter de pegar em jogadores como Salah, Firmino ou Mané?
- Acima de tudo é importante um bom posicionamento e uma boa entreajuda dos jogadores à volta, ou seja, dos médios e dos centrais. Eles fazem muitas trocas posicionais, tentam bolas nas costas, jogadas apoiadas entre os três, jogadas curtas... Além de ter atenção à bola, é importante ter atenção também ao espaço, pois eles fazem muito o "um/dois". Se focarmos muito no jogador, eles exploram bem as nossas costas, devido à velocidade, ao facto de jogarem há muito tempo e de se conhecerem bem, e de explorarem essa ligação. A concentração é fundamental. Não dar muito espaço e ter atenção às costas, porque eles sabem jogar no pé e no espaço.
Quase toda a equipa deste FC Porto jogou com o Ricardo. Que memória lhe traz aquele 5-0 do ano passado no Dragão?
- Lembro-me de estarmos desiludidos no final do jogo, por ter sido um resultado pesado face à exibição que fizemos. Mas, sobretudo, lembro-me dos adeptos, que apoiaram no final por reconhecerem que demos tudo no jogo e que o resultado foi anormal. Sabíamos que estava muito difícil a continuidade na Liga dos Campeões e era importante virar o foco para o campeonato. Sabíamos que tínhamos de melhorar e essa força acabou por ser importante, como também foi o reconhecimento de erros próprios.
É natural que, passado uma época, haja sede de vingança...
- Não falei com eles em relação a isso agora, mas tenho a certeza de que a equipa quer mostrar a sua qualidade e que aquele resultado do ano passado foi um caso isolado.
"Marega pode fazer a diferença"
Quando o FC Porto visitou Liverpool, na segunda mão dos oitavos de final da Champions do ano passado, Marega já estava lesionado. Nem o maliano, no entanto, bastaria para dar a volta a uma eliminatória seriamente comprometida pelo resultado da primeira mão (5-0 para os reds no Dragão). Mesmo assim, poderia fazer a diferença e ajudar os portistas a vencer, como, de resto, Ricardo acredita que faça agora. "Marega pode fazer a diferença. É muito importante ter um jogador como ele neste tipo de jogos, porque a defesa do Liverpool é muito bem constituída fisicamente e o Marega é um jogador rápido, que abre muitos espaços, não só para ele como para os companheiros, devido às constantes solicitações no espaço e à capacidade de guardar a bola. Pode ser importante neste tipo de duelo", explicou o lateral do Leicester. Menos confirmado no onze está Alex Telles, ainda a tentar recuperar a tempo de lesão sofrida na anca direita. "Toda a gente sabe o que ele tem feito, não só este ano, como noutros. O Alex [Telles] ataca bem, defende bem e é muito importante nas bolas paradas. É importante para o treinador ter todos à disposição, ainda por cima alguém tão importante como o Alex. Se ele não puder, haverá outro que vai dar tudo por tudo. Mas o Alex é importante", considerou.
