Recorde tudo o que disseram José Mourinho e Pavlidis na antevisão ao Ajax-Benfica
Acompanhe a antevisão de Pavlidis e José Mourinho ao duelo de terça-feira (17h45), entre as duas equipas ainda sem pontos na Liga dos Campeões
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José Mourinho
Jogo é autêntica final? "Acho que sim. As duas equipas estão na mesma situação. Não me preocupei em perceber o calendário que o Ajax terá depois, já não tenho grande interesse nisso. Mas este jogo é fundamental. Nove pontos poderiam ser suficientes. Uma equipa que perca amanhã, ainda terá esperança de se qualificar com três vitórias nos últimos três jogos, mas do ponto de vista objetivo, os nossos três próximos não são muito fáceis. Por isso considero que amanhã é fundamental ganhar."
O legado frente ao Ajax, como o traz para uma realidade diferente? "A minha história e estatísticas, sejam negativas ou positivas, considero sempre que não têm influência nenhuma. Nem sabia que tinham sido sete (vitórias). Não tinha mínima noção. Não joga nada. Uma coisa não tem a ver com a outra. Fixo no potencial do Ajax, olhando para os jogadores, tal como nós, não são equipa para zero pontos em quatro jogos. Tento analisar o que de bom podem fazer em qualquer momento, os jogadores bons podem fazer a qualquer momento."
Após o seu discurso após o jogo com o Atlético, que reação espera dos jogadores? "Depois do jogo com o Atlético, tenho aqui um jogador que pode confirmar que o que disse à imprensa, disse aos jogadores. Vocês têm que debater, senão como tinham comentadores. Não vejo filme. A mensagem acabou ali, quis passar a mensagem e passou. Os treinos foram bons, tem sido assim desde que cheguei. Não tenho nada a dizer de negativo. Pelo contrário. Espero que amanhã dêem o máximo, é uma questão de ganhar para poder ter esperança de nos qualificarmos. Mais importante que essa motivação, não conheço nenhuma outra."
Ainda sobre o discurso... "Vocês são teimosos..."
Ivanovic era um dos alvos da sua mensagem? "Sabes, quando martelam sempre na mesma coisa, é uma coisa que não me agrada, mas entendo. Quando inventam, é algo que me chateia profundamente. Se há jogador que dá tudo, e contra Atlético não teve nada a ver com a sua atitude, é o Ivanovic. Trabalha bastante, as coisas não lhe estão a sair bem, mas nada a apontar do ponto de vista do profissionalismo. Uma coisa é inventar, custa-me, não gosto, e sobre jogadores que são para mim queridos. Não gosto."
No seu discurso após o Atlético... "Again? Ó deus do céu."
Não tem receio que se possa virar contra si? Os jogadores estão à altura do treinador? "O teu pai foi sempre simpático para ti enquanto jovem e até seres adulto responsável? Há fases. É exatamente isso."
Como encaixar Rodrigo Rêgo numa linha de quatro? Pensa voltar a quatro defesas? "Não pode jogar a lateral numa linha de quatro, nunca o fez, não são as suas caraterísticas. Vem de baixo, tem de haver um 'transfer' de caraterísticas. Os que trabalham bem vão crescendo, mas neste momento é um ala num sistema de quatro defesas, é o que tem feito na B, e bem. Jogou bem, do ponto de vista físico também tem essa capacidade, e pode jogar amanhã. O sistema amanhã não o posso dizer, o meu colega Fred Grim gostaria de saber. E tenho a certeza que o António Silva está congelado porque está um frio dos diabos lá fora."
Além do Rodrigo Rêgo, e o Obrador que está habituado a terrenos mais ofensivos? "Jogou pela Espanha um jogo contra o Liechtenstein e não jogou no seguinte que era o mais importante e mais difícil. O Rêgo ficou a trabalhar comigo, o Obrador voltou dois dias antes do jogo. É uma vantagem para quem fica. Esta rapaziada jovem preciso de os ver, saber o que podem dar. O Rafa Obrador é lateral a quatro, tem de crescer do ponto de vista defensivo, ainda tem lacunas. Como começámos com o Atético o Rêgo está mais habituado e tenho de dar a oportunidade, se não dás, não sabes o que podem fazer. Tens de os meter. Se não os metes, não sabes. Achei que foi oportunidade boa e para perceber se tem condições e foi uma oportunidade ganha."
Que espaço pode ter neste Benfica o Manu Silva? "O Manu não tem 90', obviamente que não começa o jogo, e mesmo nos minutos que possa ter e em que nos possa ajudar pode ter condicionamentos. Não vem fazer turismo ou para estar no banco a bater palmas. Se tiver de jogar, jogará. Tem limitações, sobre 'minutagem', intensidade do jogo, ritmo, aí ainda tem alguns problemas. Mas pode jogar. Da recuperação da lesão, está bem. É um jogador do qual precisamos para ter mais equilíbrio no plantel. Se está cá é porque nos pode ajudar."
Ganhou sempre nos Países Baixos... "Não é verdade, perdi com Feyernoord, AZ e empatámos com o Twente. Ganhei foi sempre ao Ajax. Tem um treinador que conhece bem a equipa, não chegou agora simplesmente... Ouvi a conferência dele e identifiquei ideias e princípios que quer impor. Em relação a nós, na Champions, podem sentir o mesmo. Vai ser difícil. O maior desafio é a responsabilidade de ganhar. Uma coisa é querer ganhar, outra é precisar de ganhar. Para mim é o mesmo, eu digo sempre para mim que quero ganhar. Mas é o desafio, tens de ser equilibrado. Temos de ganhar amanhã. Mas tens de jogar com o cérebro, não só com o coração e as emoções."
Por que continua sempre a ganhar ao Ajax? Qual é o denominador comum? "Não sei. Nasci em 1963, imagina para um rapaz dessa altura o que Ajax me diz, os títulos, os jogadores fantásticos geração após geração. Era um gigante europeu. Ganhei pelo Real Madrid, éramos muito melhores, com o Manchester United numa final da Liga Europa - adorei esse porque falaram muito antes do jogo. Além desses, nem me lembro dos outros jogos. Foram com o Real Madrid? Mas era Ozil, Cristiano, Benzema, Di María... era essa a equipa."
Pavlidis
Dizia que quando não marcava não dormia, e agora? "Agora penso diferente, já não tenho 20 anos, agora o meu objetivo é ajudar a equipa. Claro que para um número 9 é importante marcar golos, mas agora não durmo se não ganhar. O mais importante para mim é ganhar, o mais importante é ajudar a equipa com golos ou assistências. O objetivo é ganhar o jogo, não é marcar."
Como está fisicamente e como os jogadores reagiram às críticas do treinador? "Sinto-me bem e estou feliz por voltar aqui e poder participar num jogo da Liga dos Campeões neste estádio que conheço muito bem. Em relação ao que o treinador disse, se tiverem visto a nossa primeira parte contra o Atlético, pensariam da mesma forma. Sabemos que não jogámos bem e que temos de melhorar, também na Liga dos Campeões e no campeonato, temos de mudar muitas coisas enquanto jogadores e assumir as nossas responsabilidades. Todos juntos, jogadores, staff, treinador, presidente, queremos deixar os nossos adeptos orgulhosos. Isso é o mais importante."
Sente-se um intocável na equipa? Como sente este seu regresso? "Não me sinto um intocável, quero sempre jogar, marcar golos, fazer assistências, ajudar a equipa. Preocupo-me mais em ganhar, quero jogar, claro, como qualquer jogador. É importante ganhar confiança. Dou o meu melhor todos os dias. Voltar aqui é um momento lindo, tive aqui anos muito bons. Estou feliz por ter voltado e por jogar um jogo da Liga dos Campeões contra o Ajax."
Ajax e Benfica sem pontos, mudaram de treinador, isso pode benéfico para o Benfica? "Penso mais na nossa equipa e no que podemos fazer do que na outra equipa. Vejo jogos da Eredivise e do Ajax e do Alkmaar, conheço o treinador desde que passei pelo Willem II. Têm bons jogadores, é o Ajax e sei como é difícil vencê-lo no seu estádio. Vai ser muito difícil."

