
Estádio do Bessa (créditos: DR)
Despromovido à II Liga em maio, após ter fechado a edição 2024/25 da I Liga no 18.º e último lugar, o Boavista concluiu um trajeto de 11 épocas seguidas no escalão principal, sendo um dos cinco campeões nacionais da história, face ao título conquistado em 2000/01.
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O Boavista depositou mais 53.371,64 euros na conta da massa insolvente dos credores do clube, após falhar o prazo original de pagamento em 13 de janeiro, anunciou esta sexta-feira a administradora de insolvência dos axadrezados.
De acordo com um requerimento enviado por Maria Clarisse Barros ao Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia, ao qual a agência Lusa teve acesso, o clube portuense já liquidou as despesas correntes deste mês, faltando cumprir uma tranche de 96.000 euros respeitante à primeira de três prestações destinadas a pagar dívidas vencidas e não regularizadas.
Depois de ter depositado 55 000 euros em dezembro de 2025, face às suas despesas correntes mensais, o Boavista teria de pagar aos credores em janeiro, fevereiro e março, sempre até ao dia 10, mais 96 000 euros, acrescidos da quantia indicada pela administradora de insolvência para suportar os gastos de cada mês.
Como as panteras entraram em incumprimento este mês, Maria Clarisse Barros iniciou de imediato as diligências para encerrar a atividade do clube, visto que não necessitava de nova convocação da assembleia de credores.
No decurso das diligências, a direção do Boavista informou que o depósito de 53.680 euros estava em vias de ser assegurado, pretensão confirmada hoje, enquanto os 96.000 euros remanescentes vão ser liquidados até 06 de fevereiro, com ajuda de "um alegado investidor, que terá demonstrado interesse em viabilizar a atividade do clube e que estará em contactos e negociações com credores".
"Assegurado o depósito do valor necessário para a regularização das despesas correntes em janeiro, a administradora de insolvência considera que aguardar as diligências de encerramento do estabelecimento do clube até 6 de fevereiro não acarreta qualquer prejuízo para a massa insolvente, uma vez que, com o depósito em causa, será possível atenuar as dúvidas derivadas da manutenção em causa", lê-se no requerimento.
Na segunda-feira, através de outro requerimento, um dos credores do Boavista pediu o afastamento da direção presidida por Rui Garrido Pereira e que a administradora de insolvência ficasse com a gestão das panteras.
A 16 de dezembro de 2025, o clube, que não tem equipa de futebol sénior ativa há três meses, tinha chegado a acordo com os credores em tribunal para manter a sua atividade, sob o compromisso de cobrir o défice corrente da sua exploração.
Dois dias depois, o Boavista lançou uma campanha pública de angariação de fundos, com quatro formas de participação, dos 40 aos 40 000 euros, que ajudou a liquidar em tempo útil a tranche de dezembro.
A administradora de insolvência solicitou há dois meses ao tribunal o encerramento da atividade do Boavista - cuja liquidação foi aprovada em setembro -, por estar a gerar prejuízos para a massa insolvente, com o consequente acumular das dívidas.
O clube detém 10% do capital social da SAD, que deveria disputar a II Liga em 2025/26, mas deixou de ter uma equipa profissional no verão e foi relegada por via administrativa para o principal escalão da Associação de Futebol do Porto, no qual é 18.ª e última colocada, estando a jogar como anfitriã no Parque Desportivo de Ramalde, a 2,5 quilómetros do Estádio do Bessa, inutilizado desde maio.
O clube inscreveu-se na quarta e última divisão distrital, mas, uma vez que está solidário com as dívidas da SAD, que contabiliza sete impedimentos de inscrição de novos futebolistas junto da FIFA, abdicou de competir em outubro, sem ter disputado qualquer partida esta época.
A SAD, liderada pelo senegalês Fary Faye, tem alinhado com antigos e atuais jogadores da respetiva equipa de sub-19, integrada na II Divisão nacional desse escalão, e ainda não desbloqueou as restrições da FIFA, que vigoraram em anos anteriores e reapareceram em março de 2025, impossibilitando, para já, a utilização dos reforços oficializados no verão.
O clube tinha lançado no verão uma equipa sénior independente da SAD, afetada pela ausência de pressupostos financeiros aquando do licenciamento para as competições nacionais e cujo direito de apresentar um plano de recuperação foi aprovado por maioria pelos credores, que votaram por unanimidade a continuidade da atividade daquela sociedade.
Despromovido à II Liga em maio, após ter fechado a edição 2024/25 da I Liga no 18.º e último lugar, o Boavista concluiu um trajeto de 11 épocas seguidas no escalão principal, sendo um dos cinco campeões nacionais da história, face ao título conquistado em 2000/01.

