
António Xavier perdeu motivação, após experiência frustrante em Israel, mas convite da Académica foi irresistível
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António Xavier foi um reforço de peso garantido pela Académica em janeiro. Em tempos, brilhou na I Liga, ao serviço de Marítimo, Tondela, Paços de Ferreira e Estoril. Em entrevista a O JOGO, o extremo revelou que o plantel da Briosa tem qualidade para sonhar.
O que o levou a aceitar o convite da Académica?
-Foi fácil aceitar este convite, porque toda a gente conhece a história da Académica. É um clube histórico em Portugal. A minha carreira passava por uma fase em que andava um pouco desmotivado, a pensar mais em desistir do futebol; este convite convenceu-me pelo projeto ambicioso, e foi fácil dizer que sim.
Andava desmotivado, porquê? Não correu bem em Israel?
-A escolha de ir para Israel [Bnei Yehuda] foi mais pela vertente financeira. Infelizmente, as pessoas fizeram promessas e não cumpriram com a palavra, e por isso está um processo na FIFA em curso. Foi algo que me desmotivou, levou a pensar se queria continuar ou não a jogar. Agora, acredito que ter vindo para a Académica e estar a desfrutar, tanto nos treinos como nos jogos, e jogar num clube com uma massa adepta grande, foi a melhor opção.
Já conhecia alguém do clube?
-O Kaká jogou comigo na formação; já tinha enfrentado o Leandro Silva e o Marcos Paulo, joguei com o Cascavel no Tondela e com o Cuba também. Esse conhecimento de alguns jogadores, que me deram informações bastante positivas, também me ajudou a decidir.
O facto de não ter sido utilizado na primeira metade da época poderá prejudicá-lo neste regresso?
-Mesmo estando parado, fiz pré-época em Israel, o que foi importante. Nunca parei, mantive-me sempre ativo, a trabalhar. Tanto a nível de ginásio como na preparação física, o que facilita as coisas. Também não tive nenhuma lesão; por isso, sinto-me apto.
Até agora, só jogou como suplente. Sente-se preparado para fazer 90"? E em que aspetos poderá ajudar a equipa?
-Aos 33 anos, com a minha experiência de muitos anos de I Liga e II Liga também, tanto fora de campo como em campo, vou tentar ajudar. Temos um misto de plantel jovem com um grupo mais batido e vou tentar ajudar ao máximo os miúdos. Sempre que o míster quiser, estarei pronto. Sinto-me apto para fazer 90 minutos.
Na época passada foi campeão pelo Tondela, na II Liga. O objetivo será juntar mais uma subida ao currículo?
-O ano passado foi para muita gente uma surpresa, mas, na transição de uma época para a outra, o Tondela conseguiu manter muitos jogadores, que tinham muita qualidade, e penso que fomos uns justos campeões. A Académica vem de um contexto diferente, mas é um clube que tem de ser respeitado, e vamos com o sentimento de entrar em todos os jogos para ganhar.
O que está a achar da Liga 3 e que jogadores mais lhe chamaram a atenção na Briosa?
-Nunca tinha jogado na Liga 3, mas era uma liga que acompanhava e via que havia qualidade. Agora que aqui estou, vejo que a maioria dos clubes são profissionais, trabalham muito bem e há gente muito competente, tanto a nível de jogadores como treinadores. Vê-se que as equipas são bem orientadas, e esta Liga 3 veio dar um espaço que não havia no meu tempo. Antes, saíamos da formação, íamos para uma III divisão e agora dá-se este passo em frente. A nível de jogadores, temos o Cascavel, que tem muita qualidade, o Beni, que não conhecia e que terá um futuro brilhante se continuar neste caminho. Também destaco o Bruno Cuba.
Como tem sido trabalhar com António Barbosa, que balanço faz da campanha do clube e quem considera favorito a subir?
-Não conhecia o míster António Barbosa. Tive uma boa conversa com ele antes de ingressar na Académica e foi alguém que me transpareceu muita confiança, foi muito firme nas suas ideias e isso confirma-se no dia a dia. É alguém que privilegia o bem-estar do grupo, parece-me justo e isso é ótimo. O balanço, até agora, só não é perfeito porque tivemos uma derrota contra o Belenenses, num jogo que em que o empate seria o mais justo. Estivemos sempre por cima, mas quisemos muito ganhar, expusemo-nos em demasiado e eles aproveitaram. Quanto a favoritos, é sempre difícil apontar um; vejo o Belenenses, o Mafra e o próprio Varzim como clubes que investiram muito, mas isso não diz tudo sobre o que será a classificação final.
Ainda mantém intactas as características de extremo ou está um jogador diferente?
-Com o passar da idade, vamos adquirindo valências no aspeto mental e tático, perdendo outras no aspeto físico. Com 33 anos, sinto-me muito preparado para a exigência do futebol profissional. Continuo a ser o Xavier da época passada, da I Liga, e estou preparado para jogar na Liga 3 como noutras divisões acima. No ano passado, jogava como extremo mais interior, este ano o míster tem outras ideias, gosta que esteja mais aberto, que vá no um para um, e sinto-me adaptado a isso.
Da infelicidade no Panathinaikos ao prazer no Marítimo e Tondela
Natural de Guimarães, António Xavier começou a jogar no Vitória, mas foi noutros clubes que o extremo se deu a conhecer mais. "A época mais marcante foi no Marítimo, onde conseguimos um sexto lugar com o Daniel Ramos, o que deu acesso à Liga Europa. Destaco também a minha primeira época no Tondela, em que, apesar de só termos conseguido a permanência na I Liga, na última jornada, contra o Chaves, a nível individual foi muito boa", recordou o jogador, de 33 anos, que também colocou a época anterior nos beirões, onde foi campeão da II Liga, como "uma das melhores". No estrangeiro, além de Israel (Bnei Yehuda) também foi pouco feliz na Grécia. "Atingi o patamar de jogar num clube da dimensão do Panathinaikos, que é comparável aos três grandes de Portugal, mas, infelizmente, tive uma lesão grave na primeira época, e que mudou o que seria o meu futuro", explicou.
