Câmara de Coimbra quer rever gestão para deixar Académica usar estádio para concertos

Estádio Cidade de Coimbra
A proposta de revisão do contrato-programa de desenvolvimento desportivo a celebrar com a Associação Académica de Coimbra - Organismo Autónomo de Futebol (AAC/OAF), referente à gestão do Estádio Cidade de Coimbra, vai ser discutida na reunião do executivo camarário, na segunda-feira.
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A Câmara de Coimbra quer rever a gestão do estádio, para deixar a Académica usar o estádio municipal para concertos, numa proposta que acaba com possibilidade de cedência do equipamento a outros clubes do concelho.
A proposta de revisão do contrato-programa de desenvolvimento desportivo a celebrar com a Associação Académica de Coimbra - Organismo Autónomo de Futebol (AAC/OAF), referente à gestão do Estádio Cidade de Coimbra, vai ser discutida na reunião do executivo camarário, na segunda-feira.
Segundo o documento a que a agência Lusa teve acesso, o acordo celebrado pelo anterior executivo e que é agora revisto possibilita a AAC/OAF utilizar o Estádio Cidade de Coimbra, propriedade do município, para realizar eventos de caráter cultural e musical, desde que avise a autarquia com uma antecedência nunca inferior a 60 dias.
De acordo com a proposta do executivo liderado pela coligação Avançar Coimbra (PS/Livre/PAN), aquele clube de futebol que milita na 3.ª divisão portuguesa fica obrigado a repor qualquer tipo de danos provocados pela realização desses espetáculos.
O acordo mantém a possibilidade de o município usar para si aquele equipamento e de também ele organizar ali eventos culturais e musicais, sem necessidade de contrapartida ao clube.
Do novo documento, é retirada uma cláusula que obrigava a AAC/OAF a conceder gratuitamente a utilização do equipamento a outros clubes do concelho de Coimbra, desde que as datas não colidissem com os jogos oficiais da Briosa, ficando esses clubes responsáveis por bilheteira e custos associados à realização dos eventos desportivos.
Segundo a consulta da Lusa à revisão do acordo, o novo documento elimina também a existência de uma comissão de acompanhamento, que tinha como função garantir o cumprimento do acordo, nomeadamente a aplicação das verbas na manutenção e conservação do estádio e no futebol de formação e feminino da AAC/OAF.
Anteriormente, o acordo estipulava que as receitas com o aluguer de espaços comerciais e de serviços do Estádio Cidade de Coimbra e outras se destinavam "única e exclusivamente" a comparticipar os encargos com a manutenção, permitindo afetar o remanescente ao cumprimento do programa desportivo associado ao futebol de formação e feminino.
A nova proposta refere que as receitas provenientes da rentabilização dos espaços comerciais "são tidas como contrapartidas devidas pelas obrigações assumidas", seja na manutenção do estádio seja no cumprimento do programa de formação desportiva, sem hierarquizar a alocação dessas verbas entre as duas componentes, ao contrário da anterior formulação.
Em nota de imprensa divulgada hoje, a Câmara de Coimbra considera que este novo acordo "permite estabilidade e equilíbrio na gestão deste equipamento municipal".
"O novo entendimento pretende garantir estabilidade, previsibilidade e equilíbrio na gestão do equipamento municipal", vincou a autarquia, que refere que o novo contrato terá uma vigência de quatro anos.
A Académica recebeu 300 mil euros por parte da promotora do concerto dos Coldplay no estádio, face às condições do documento que estava em vigor desde a inauguração daquele equipamento.
A obrigação de pagamento ao clube motivou o município a criar um novo acordo, celebrado pela Câmara de Coimbra em 2024.
Em 2022/2023, a Académica registou 356 mil euros de receita nas rendas dos espaços de um estádio construído aquando da realização do Euro 2004, que custou cerca de 50 milhões de euros ao município.

