
Central Jorge Silva deixou o Vogherese, da Série D italiana, para estar mais perto da família. Foi titular nos últimos três jogos do Marco 09
Leia também FC Porto esclarece lesão sofrida por Bednarek em Alvalade
Jorge Silva tinha arrancado a temporada no Vogherese, da Série D (quarta divisão) italiana, mas um problema familiar acentuou a vontade de regressar a Portugal. Aos 27 anos, o filho de Jorge Silva, antigo jogador de clubes como Boavista e Beira-Mar, e irmão de Fábio Silva (Borussia Dortmund, Alemanha), foi reforço de inverno do Marco 09, agarrou a titularidade no arranque da fase de descida/permanência e não mais a largou.
"O meu avô ficou doente e queria estar mais perto da minha família para ajudar no que fosse preciso. As coisas em Itália estavam a correr-me bem, mas falei com o meu pai, surgiu a hipótese do Marco 09, que tinha um treinador que conhecia [Pedro Lomba, entretanto despedido] e foi uma decisão fácil", explica. Com três jogos seguidos a cumprir os 90', ao bom plano individual juntou-se o fôlego coletivo proporcionado pela vitória, por 2-1, frente ao São João de Ver, que tirou os marcoenses da zona de descida. "Ninguém garante titularidades. Vim para lutar pelo meu lugar e consegui que as coisas me estejam a correr bem. Coletivamente, só dependemos de nós para conseguirmos a permanência e, nesta fase, todos os jogos são finais", enfatiza.
O contexto encontrado em Marco de Canaveses merece-lhe elogios. "Fiquei muito surpreendido, pela positiva. O clube tem instalações incríveis, adeptos fantásticos e as pessoas não nos faltam com nada. No campo, na recuperação, na parte física... temos todas as condições para conseguir fazer um bom resto de campeonato", assegura.
Formado no Nogueirense FC, FC Porto, Padroense e Benfica, Jorge Silva completou os sub-19 na Lázio (Itália), quando emigrou pela primeira vez na carreira, e de onde saiu 2022, até regressar, no defeso passado, a Itália. "Queria lá voltar. Apareceu a oportunidade da Série D e tive abordagens da Série C em janeiro, mas a minha cabeça estava em voltar pelo meu avô", reforça. Conseguir acabar bem a época é um objetivo para que outras portas se possam abrir. "Não sou hipócrita para dizer que não penso nisso. Tenho capacidade e qualidade para isso. Primeiro, para ajudar o Marco 09 e, depois, no final da época, para tentar dar o salto para um nível superior", refere. Meta que já poderia ter sido alcançada na carreira, em anos anteriores. "Não é só uma opinião minha, mas de muita gente, que podia ter já passado por outros patamares. Tive decisões erradas. Quando saí da Lázio, recebi uma proposta do Charlotte, da MLS (Estados Unidos), e rejeitei, porque não queria ir para longe. Tenho 27 anos e, se me cuidar, posso jogar até aos 37 ou 38 anos. Ainda tenho muito tempo para dar o salto", garante.
Em Itália deixou de ser "tão meiguinho"
A diferença entre o Jorge Silva dos tempos da formação do FC Porto e do Benfica para o de hoje em dia está na maior preocupação defensiva que o central adquiriu. "Era muito ligado à parte técnica. Via-me como um central muito meiguinho", reconhece. "A ida para Itália fez-me ganhar cultura tática e agressividade. Sou um defesa, e isso significa que, como a palavra o diz, primeiro tenho de ser bom defensivamente. Ganhei cultura tática", termina.

