Braga fala em "fuga de informação" e aponta falência do sector da arbitragem

Braga fala em "fuga de informação" e aponta falência do sector da arbitragem

Em causa a divulgação dos árbitros dos jogos Sporting-Nacional, Feirense-Braga e FC Porto-Santa Clara pelo empresário César Boaventura, na quinta-feira.

O Braga reagiu este sábado às nomeações do Conselho de Arbitragem para os jogos do clube, do Sporting e do FC Porto da 30ª jornada da I Liga, que tinham sido antecipadas pelo empresário César Boaventura através de uma publicação nas redes sociais feita na quinta-feira.

Em comunicado, o emblema minhoto diz estar "perante mais uma fuga [de informação] verdadeiramente inaceitável" e fala em "falência e permeabilidade" no setor da arbitragem.

"Ora, sendo as nomeações feitas em total secretismo, apenas do conhecimento de quem nomeia (o Conselho de Arbitragem) e dos próprios nomeados (o árbitro do CD Feirense x SC Braga, por exemplo, desconhece a nomeação para o FC Porto x CD Santa Clara), torna-se absolutamente revelador da falência e da permeabilidade do sector esta nova confirmação de que indivíduos estranhos ao futebol e às suas estruturas possam ter acesso a informações classificadas", pode ler-se no comunicado dos arsenalistas, que recordam as palavras de António Salvador que valeram a apresentação de uma participação disciplinar por parte de Fontelas Gomes, presidente do CA da Federação.

O Braga apela à intervenção urgente dos responsáveis e lança quatro questões:

"Há perguntas a que urge responder: Como é que agentes externos têm acesso a informação classificada? Quem é que está a passar tais informações? A quem servem essas informações? De que forma é que tal acesso condiciona e influencia as arbitragens?", atira o emblema minhoto, rematando com um pedido de proteção aos árbitros.

Leia o comunicado do Braga na íntegra:

"Tendo tomado conhecimento, na quinta-feira, de um post de César Boaventura que antecipava as nomeações de árbitros para jogos desta jornada, o SC Braga registou a listagem e aguardou pela sua confirmação. Tendo-se verificado que todas as informações então veiculadas se concretizaram, o SC Braga entende estar perante mais uma fuga verdadeiramente inaceitável, divulgando o seguinte comunicado.

Comunicado do SC Braga

No início deste mês, o Presidente António Salvador alertou para os indícios que vinha registando e que, no seu entendimento, afetavam muito negativamente o sector da arbitragem em Portugal, devendo ser analisado se estaríamos mesmo perante casos de desvirtuação dos resultados desportivos.

A contundência das suas afirmações gerou uma reação corporativa, mais preocupada em atacar o mensageiro do que em averiguar a mensagem. Responsáveis pelo sector e pela classe saíram a terreiro para garantir que tudo ia bem no reino dos árbitros, ignorando os problemas flagrantes que descredibilizam o futebol português e se revelam incompreensíveis na era do VAR.

Por entender e interpretar a responsabilidade do cargo que desempenha, o Presidente do SC Braga optou por não trazer para o espaço público outros factos suscetíveis de abalar os pilares do sector e que continua disponível para apresentar às entidades e nos locais apropriados.

Porque a verdade é que há, de facto, algo muito preocupante em torno da arbitragem em Portugal, como ainda agora verificamos ao constatar que um post de César Boaventura publicado na quinta-feira e que revela uma conversa de WhatsApp em que pessoas externas ao futebol divulgam as nomeações para os jogos em que participariam Sporting CP, SC Braga e FC Porto nos dias seguintes. Tudo bateu certo!

Ora, sendo as nomeações feitas em total secretismo, apenas do conhecimento de quem nomeia (o Conselho de Arbitragem) e dos próprios nomeados (o árbitro do CD Feirense x SC Braga, por exemplo, desconhece a nomeação para o FC Porto x CD Santa Clara), torna-se absolutamente revelador da falência e da permeabilidade do sector esta nova confirmação de que indivíduos estranhos ao futebol e às suas estruturas possam ter acesso a informações classificadas.

Perante esta fuga, é urgente que os responsáveis se expressem com tanta celeridade como o fizeram aquando da intervenção do Presidente do SC Braga. Porque há perguntas a que urge responder: Como é que agentes externos têm acesso a informação classificada? Quem é que está a passar tais informações? A quem servem essas informações? De que forma é que tal acesso condiciona e influencia as arbitragens?

Sim, os árbitros em Portugal têm de ser defendidos e protegidos. Não com intervenções de corporativismo, mas com ações concretas e explicações cabais que assumam a existência de problemas e garantam a total independência e blindagem do sector.

O SC Braga reafirma que o futebol português não está bem. O SC Braga reclama a legitimidade de questionar a relação de causa-efeito entre a provada intromissão de indivíduos ou grupos de adeptos relacionados com os três clubes com os quais o SC Braga tem discutido os títulos nacionais e as gritantes desigualdades de critérios que se verificam nos relvados de Portugal.

Acima de tudo, o SC Braga espera que os responsáveis reconsiderem a postura assumida após as declarações de António Salvador e que assumam, de uma vez por todas, que há problemas e que urge resolvê-los.

O SC Braga e o seu Presidente continuarão disponíveis para contribuir para um futebol melhor, que não encare como normal ou aceitável a tomada do poder por fanáticos ou por jagunços".