Benfica em silêncio na reunião de segurança da Liga

Benfica em silêncio na reunião de segurança da Liga

Diretor do clube da Luz não se pronunciou sobre incidente em Famalicão, em que uma criança foi obrigada a despir uma camisola dos encarnados. A Liga prometeu aprofundar o tema em futuras reuniões "com a APCVD e com as forças de segurança", de forma a "melhorar as orientações referentes ao acesso e permanência de adeptos nos estádios."

O incidente ocorrido no sábado, no Estádio Municipal de Famalicão, em que uma criança foi obrigada a despir uma camisola do Benfica, não foi, afinal, tema central da reunião de ontem, por videoconferência, da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) com os diretores de segurança dos clubes e sociedades desportivas da I e II Ligas, na qual o organismo liderado por Pedro Proença, que não participou, reforçou "orientações sobre o acesso e permanência nos estádios."

Ao que O JOGO apurou, o Benfica, que condenara com veemência o episódio, não se pronunciou sobre o tema nesta reunião. Contactado pelo nosso jornal, o clube encarnado não comentou os motivos que levaram o seu representante a não abordar o assunto. Já o representante do emblema minhoto, visado nas críticas nos últimos dias, reiterou que o clube se limitou a cumprir os regulamentos.

Segundo soube O JOGO, os outros clubes que se manifestaram ontem entenderam que este "é um não tema" e a própria Liga, no resumo que fez, através de um comunicado, foi, para já, vaga nas conclusões, remetendo para as diretrizes da Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD) e prometendo aprofundar o tema em futuras reuniões "com a APCVD e com as forças de segurança, de forma a que possam ser melhoradas as orientações referentes ao acesso e permanência de adeptos nos estádios."

Até lá, pediu que todos tomassem "boa nota da orientação da Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto, no sentido de a adaptar à realidade de cada clube, efetuando uma avaliação de risco casuística, garantindo o procedimento adequado em cada situação."

Recorde-se que a APCVD, na sequência do caso, lembrou que "os promotores de espetáculos devem zelar pela segurança dos adeptos, e que o acesso aos recintos não pode estar condicionado ao uso de determinadas peças de vestuário", desde que estas "não contenham símbolos, sinais ou mensagens ofensivas, violentas, intolerantes, de caráter racista ou xenófobo."
A APCVD defendeu ainda que, "perante a necessidade de deslocar adeptos para outras zonas ou setores por questões de segurança, deverá ser avaliada primariamente a possibilidade de acomodar tais adeptos (do clube visitado ou visitante) junto das respetivas zonas no recinto desportivo."