
Erica Meg tem 17 anos, é médio do Valadares, soma oito golos esta temporada e é uma das jogadoras mais entusiasmantes e promissoras da Liga BPI
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O nome de Erica Meg já não passa despercebido. Com apenas 17 anos, a internacional jovem inglesa afirma-se como uma das jogadoras mais promissoras e influentes da Liga BPI. Médio do Valadares, soma sete golos em 18 jogos esta temporada e lidera a liga em duelos ganhos e dribles bem-sucedidos. Eleita Jogadora do Mês em novembro, Erica tem sido peça-chave numa época consistente da equipa de Zé Nando, que ocupa o terceiro lugar do campeonato, a apenas dois pontos do Sporting. Em entrevista a O JOGO, fala com a naturalidade de quem cresce dentro do jogo sobre a pressão de se afirmar tão jovem no futebol sénior, sobre a sua evolução e o significado de representar o Valadares neste momento da carreira.
Com 17 anos, está a viver a época mais firme no futebol sénior. Em que áreas sente que mais evoluiu?
-Sinto que cresci muito a nível tático, sobretudo na forma como me posiciono e leio o jogo. A experiência destes últimos três anos ajudou-me a tomar decisões mais rápidas e mais acertadas. Para além disso, estou mais confiante, principalmente quando conduzo a bola, enfrento adversárias e procuro criar situações de finalização.
É a jogadora da Liga BPI com mais duelos ganhos e dribles bem-sucedidos. Esse lado físico e agressivo sempre fez parte do seu jogo?
-Sim, sempre foi algo muito presente. Sendo uma jogadora mais baixa, aprendi desde cedo a usar o meu centro de gravidade como vantagem, o que me ajuda bastante nos duelos. Com o tempo, isso tornou-se uma das minhas maiores forças. A agressividade vem muito da minha paixão pelo jogo e da vontade de dar tudo pela equipa.
Sete golos em 18 jogos refletem o seu verdadeiro impacto ou sente que dá mais à equipa do que os números mostram?
-Sinto que o meu contributo vai muito além dos golos, até porque jogo no meio-campo. Muitas vezes o meu papel passa por ajudar na construção, dar linhas de passe, aliviar a pressão, partir no um para um e ajudar a controlar o ritmo do jogo. Claro que gosto de marcar e tento sempre contribuir com golos, mas o meu jogo não se resume a isso.
Ser eleita a Jogadora do Mês em novembro foi um momento importante, ainda por cima numa votação das capitãs dos clubes da Liga BPI. Mudou a forma como vê o seu percurso?
-Foi um momento muito especial e algo pelo qual sou muito grata, mas não mudou a forma como encaro o meu caminho. Continuo focada no meu desenvolvimento e em comparar-me comigo própria, não com os outros. O reconhecimento é sempre bom, mas o mais importante para mim é continuar a evoluir e ser melhor do que fui ontem.
Sente que as defesas adversárias encaram a Erica de forma diferente?
-Sim, sinto que há mais atenção. As defesas estão mais conscientes da minha capacidade para atacar a profundidade e criar perigo, e isso nota-se em campo. Vejo isso como algo positivo, porque significa que estou a causar impacto, mas também me obriga a continuar a trabalhar e a encontrar novas soluções dentro do jogo.
Como lida com uma idade em que muitas jogadoras ainda se estão a adaptar ao futebol sénior?
-O facto de já jogar futebol sénior no Valadares há três anos ajudou-me muito a adaptar-me às exigências da Liga BPI. Sou também muito grata às minhas colegas de equipa, porque sem elas essa adaptação teria sido muito mais difícil. Em relação à pressão, faço bastante trabalho mental com a minha psicóloga do desporto, que me ajudou a perceber e a gerir a pressão de uma forma positiva.
Mas ser jovem e estar sob os holofotes pode trazer expetativas elevadas. Já sentiu isso?
-Sinceramente, não sinto isso. Para mim, é importante ter uma visão mais ampla e perceber a sorte que tenho por poder jogar futebol todos os dias, a este nível, sendo tão nova. Aprendi a transformar essa pressão em paixão e confiança. Saber que as pessoas gostam de me ver jogar ou que esperam algo de mim é algo que encaro de forma positiva e que me motiva, em vez de me pesar.
Aos 17 anos, o que o futebol lhe dá e o que lhe tira?
-O futebol dá-me tudo. Desde as pessoas que conheci até um enorme sentido de gratidão, propósito e tranquilidade. É algo pelo qual tenho uma paixão enorme. Não diria que me tira nada, porque é uma escolha que faço todos os dias. Claro que existem sacrifícios, como ter menos tempo com amigos ou família, ou abdicar de algumas experiências normais da adolescência. Mas são sacrifícios que faço de livre vontade e com muito orgulho.
Para a Erica, o que significa representar o Valadares?
-Significa tudo para mim. O Valadares teve um papel enorme no meu desenvolvimento ao longo dos últimos três anos. Aprendi imenso com a equipa técnica, com as minhas colegas e com todo o ambiente do clube. A confiança que sempre depositaram em mim foi fundamental para o meu crescimento, tanto como jogadora como pessoa. Representar o clube nesta fase é algo que me deixa extremamente orgulhosa, e sou muito grata sempre que entro em campo com este símbolo ao peito.
"Não nos intimidamos por nomes"
O Valadares ocupa o terceiro lugar da Liga BPI, a dois pontos do Sporting, mas no balneário a palavra de ordem é manter o foco jogo a jogo. "Estamos conscientes da nossa situação, claro, porque somos ambiciosas e queremos ganhar sempre. Mas não é algo que se fale constantemente no balneário. O foco é muito claro: pensar no próximo desafio", explica Erica. A consistência da equipa gaiense, mesmo frente a adversárias mais experientes, tem origem numa mentalidade de confiança e intensidade. "Não nos deixamos intimidar por nomes ou pela experiência. Entramos sempre para discutir os jogos olhos nos olhos e isso tem sido fundamental para mantermos a regularidade e ganharmos respeito", acrescenta a internacional jovem inglesa.
