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Na Noruega dizem que Schjelderup pode ter problemas com o visto para o Mundial'2026

AFP

Extremo do Benfica foi condenado ontem no Tribunal de Copenhaga a 14 dias de prisão por ter partilhado um vídeo de cariz sexual com menores. Jogador revelou arrependimento: "Quando reencaminhei, percebi rapidamente que era ilegal, por isso apaguei o vídeo do grupo e do meu telemóvel em menos de um minuto."

Visto para o Mundial'2026 preocupa

A condenação de Schjelderup não o impedirá de exercer a sua profissão ao serviço do Benfica ou da seleção norueguesa no imediato, no entanto, e segundo o jornal norueguês VG, o extremo das águias pode ter problemas quando pedir o visto de entrada nos Estados Unidos para disputar o Mundial'2026, competição para a qual a Noruega está apurada. Schjelderup tem agora registo criminal, pelo que esta "mancha" mantém-se viva na sua documentação. A Noruega, de resto, garantiu a presença no próximo Mundial ao vencer a Itália por 4-1, no último domingo, jogo em que Schjelderup não entrou mantendo-se no banco de suplentes durante os 90 minutos.

Uma sala cheia para julgamento mediático

O mediatismo em torno do julgamento de Schjelderup provocou uma enchente no Tribunal de Copenhaga. A sala, aberta à comunicação social, esteve lotada, com muitos jornalistas noruegueses e dinamarqueses, tendo a decisão sido notícia que correu mundo. O extremo do Benfica, de resto, remeteu-se ao silêncio fora das instalações do Tribunal. O jogador é esperado em Lisboa e poderá fazer parte dos convocados para o jogo da Taça de Portugal contra o Atlético, amanhã.

Schjelderup foi condenado a 14 dias de prisão com pena suspensa, válida durante um ano, além de uma advertência de deportação da Dinamarca. O extremo das águias foi ouvido na quarta-feira, em Copenhaga, após ter sido acusado de partilhar um vídeo de teor sexual, que envolvia menores. A procuradora do Ministério Público da Dinamarca pediu entre 20 a 30 dias de prisão efetiva, mas o juiz decretou a referida pena, tendo em conta que o jogador confessou o seu ato e revelou arrependimento.

"Recebi o vídeo no Snapchat como uma piada de mau gosto. Depois reencaminhei para um grupo de quatro amigos e dei continuidade à piada. Só vi os primeiros segundos, não vi o vídeo todo, mas percebi que havia algo de sexual e que eram dois jovens. Aconteceu tão rápido que nem pensei duas vezes. Quando reencaminhei, percebi rapidamente que era ilegal, por isso apaguei o vídeo do grupo e do meu telemóvel em menos de um minuto", referiu no depoimento o extremo, citado pela imprensa da Noruega e da Dinamarca.

O futebolista norueguês disse desconhecer a idade dos jovens envolvidos no vídeo e ter ficado surpreendido quando foi contactado pela polícia, pois nunca pensou que fosse por causa da partilha do mesmo. "Nunca tinha falado com a polícia sobre qualquer assunto antes", atirou Schjelderup.

"Vai levar um cartão amarelo", referiu o juiz Mathias Eike, ao proferir a sentença.

O internacional norueguês não prestou declarações à comunicação social à chegada ao Tribunal.

O advogado do jogador disse, entretanto, que a defesa está a analisar a sentença para decidir se entrará, ou não, com recurso, com o representante a lembrar que Schjelderup se arrependeu imediatamente de "uma brincadeira de mau gosto" e que apagou logo de seguida o vídeo.

Numa publicação no Instagram, em 8 de novembro, Schjelderup tinha admitido ter cometido um "erro estúpido" e que apagou o vídeo, assim que um amigo lhe explicou que o mesmo era ilegal.

A Federação Norueguesa de Futebol considera suficiente a punição atribuída ao extremo, que na última quinta-feira jogou 20 minutos diante da Estónia, e no domingo foi suplente não utilizado com a Itália.

Este caso, recorde-se, remonta a 2023, quando Schjelderup tinha 19 anos e representava o Nordsjaelland.

Sérgio André