Treinadorvoltou ao quarto escalão nacional para orientar um Vilaverdense com histórico recente de problemas financeiros. Começou tarde, em cima do joelho, mas já leva duas vitórias seguidas
O Vilaverdense tem sido notícia pelos piores motivos nas últimas duas épocas, devido a problemas financeiros e incumprimentos salariais no futebol masculino e feminino. Com duas descidas seguidas - a queda foi da II Liga para a Liga 3 e, agora, para o Campeonato de Portugal - a pré-temporada arrancou tarde, em cima do joelho, e o treinador inicialmente escolhido, Gil Silva, saiu antes da bola começar a rolar.
A SAD apostou em Bock, que regressou ao CdP depois de em 2023/24 ter saído no arranque da época do Marco 09, que tinha conseguido levar para os nacionais. "Comecei a trabalhar dois dias antes do início dos treinos. Aliás, até já tinham feito dois treinos, dados por um jogador", conta Bock a O JOGO. As três primeiras jornadas foram adiadas e, à eliminação da Taça de Portugal (derrota por 1-0 com o Monção), seguiram-se quatro partidas sem vencer (dois desaires e dois empates). Até ao tabuleiro virar, com triunfos caseiros perante Mirandela (3-0) e Tirsense (2-0). "Estava reticente em aceitar o convite, mas falei com as pessoas de cá e fizeram-me ver que é um projeto interessante. Queriam um treinador que já tivesse subido de divisão e que tentasse colocar a equipa a jogar bem à bola", conta Bock.
No entanto, sabia que as dificuldades iriam surgir naturalmente. "Não é fácil aceitar um clube com poucos jogadores. Não fizemos uma preparação normal para uma equipa semiprofissional. Uma pré-temporada mal feita pode trazer muitos dissabores", aponta. O recrutamento de jogadores foi outro dos problemas em cima da mesa. "Liguei a muitos atletas que ficaram de pé atrás, e a maior parte não veio, precisamente por causa do histórico de dificuldades dos últimos dois anos. Joguei à bola, fui futebolista profissional e entendia perfeitamente a posição dos jogadores quando lhes ligava", reconhece. "Sabia o risco que ia correr, mas é um desafio muito aliciante para a minha equipa técnica", completa.
O treinador revela que o primeiro mês foi pago à hora, mas que o segundo está "ligeiramente atrasado" e que o plantel espera receber "esta semana". "Não é muito mau, mas não é um mar de rosas", sintetiza. Ainda assim, o momento desportivo desanuvia as dificuldades diárias. "Se ganharmos o nosso jogo em atraso podemos ir para o terceiro lugar. Estou muito orgulhoso do que os jogadores têm feito. Ganhámos no domingo ao Tirsense, que se apetrechou para subir. Não estou arrependido de ter vindo para o Vilaverdense. Aconteça o que acontecer, sei que vou ter muitas dificuldades, mas também sei que vou sair daqui muito melhor treinador", partilhou.
Na Madeira quase sem dormir para empate em jogo "incrível"
A série de três jogos sem perder, com duas vitórias consecutivas pelo meio, começou com um empate a uma bola na Ribeira Brava, na Madeira, e a viagem foi feita... no próprio dia. "Não havia voos para irmos de véspera para a Madeira, de maneira que saímos às sete da manhã do Porto. Ou seja, os jogadores tiveram de acordar às três da manhã. Fomos quase sem dormir e fizemos um jogo incrível. Temos conseguido ser muito competitivos", elogia.