Já se vê futebol de graúdo nos pés de um lateral direito com apenas 17 anos de idade
Isto dos "miúdos" de primeira é coisa que está a dar que falar. Os efeitos da transferência de João Félix e da conquista da UEFA Youth League pelo FC Porto colocaram os focos numa quantidade de adolescentes, cuja maioria ainda não pisou um relvado de primeira. Neste momento, há muitos a passar pelos crivos da pré-época, à procura de um lugar ao sol, a conquistar pelo aproveitamento competitivo que possam oferecer e pelo negócio que possam vir a representar.
O FC Porto está a preparar um futuro comum e pretende renovar com Tomás Esteves
Vem a propósito o primeiro jogo de preparação dos portistas, ontem à noite, frente aos ingleses do Fulham, no qual alinharam algumas promessas do Dragão: os defesas Tomás Esteves e Diogo Queiroz, os médios Romário Baró e Madi Queta, e o avançado Fábio Silva. Já para não incluir nesta ponderação Diogo Costa e Diogo Leite, que, apesar de campeões nacionais e europeus Sub-19, já têm sido opção no plantel principal.
De todos esses, um pouco mais à frente parece estar o lateral-direito Tomás Esteves. O miúdo que desde o meio da época passada está na mira do Manchester City - tanta notícia andou por aí a dizer que os ingleses estavam dispostos a cobrir os 10 milhões previstos na cláusula de rescisão - é dos que parece estar mais próximo de garantir um lugar na lista definitiva de Sérgio Conceição. Mas ainda só parece.
A forma como abordou o jogo frente aos ingleses (entrou na segunda parte, para o lugar do recém-chegado Saravia) - revelou grande maturidade e deixou boas indicações a quem o pôde apreciar. O técnico, claro, já lhe terá feito melhor e maior radiografia. Mas não será surpresa nenhuma se se confirmarem estes prognósticos sobre o jogador nascido há 17 anos em Viana do Castelo.
Pelo que se percebe, mesmo em modo algo especulativo, o jovem defesa está capaz de lutar pela lateral direita com o argentino Saravia e com Manafá. Mas se o modelo "dois jogadores para cada posição" se impuser nas decisões do treinador, não parece tão instantânea a inscrição de Tomás Esteves na equipa principal.
Já os restantes, têm outras condicionantes, mas, sobretudo, mais concorrência para as várias posições de campo. Entre estes, há que contar com o guardião Diogo Costa, cuja permanência nas opções do plantel principal, conforme aconteceu amiúde na temporada passada, depende ainda da eventual contratação de reforços para a baliza. E até final de agosto, quando o mercado encerra, muita coisa ainda pode acontecer.
Em todo este processo de alinhamento entre a competitividade e o negócio, Sérgio Conceição terá uma palavra decisória.
Isto do foco na miudagem tem muito que se lhe diga. Nas conversas de café e entre treinadores de bancada, o título europeu dos Sub-19 portistas e o preço de João Félix são fatores de debate e de vontades próprias de quem está de fora. Mas na gestão de um plantel de futebol, há uma diferença acentuada entre o ter que ganhar pontos e ter que ganhar milhões, embora ambos sejam imperativos relacionados entre si.
Também por isso se percebe que o FC Porto esteja a preparar um futuro comum e se prepare para renovar com Tomás Esteves, cujo contrato é válido até junho de 2021 (esta e a próxima época). Legalmente, apenas se lhe pode acrescentar mais uma temporada (até 2022), por ser menor de idade. Mas será o suficiente para aumentar o seu salário e a cláusula de rescisão.
Em todo este processo de alinhamento entre a competitividade e o negócio, Sérgio Conceição terá uma palavra decisória. A equipa B, a competir na II Liga, é sempre uma opção para o atleta. Mas esta, que parecia o caminho mais óbvio para quem jogou nos juniores na época passada, pode ser agora menos uma certeza do que o era há menos de dois meses.
(Atualizado às 16h20)
