Este Super Bowl não será decidido por um nome maior do que o jogo, nem por um momento isolado. Será decidido nos detalhes
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Há posições no futebol americano que se sentem de forma diferente quando o jogo aperta. Quando o relógio corre mais depressa, quando a margem de erro desaparece e quando cada decisão pesa mais do que a anterior. O Super Bowl é o palco máximo dessa pressão e, quase sempre, acaba por expor uma verdade simples: nos grandes momentos, tudo passa pelo quarterback.
Onze anos depois de Malcolm Butler ter mudado a história da NFL com um dos lances mais memoráveis de sempre, o destino volta a juntar New England Patriots e Seattle Seahawks no Super Bowl LX. Muita coisa mudou desde então. Os treinadores são outros, os protagonistas também, mas a exigência mantém-se intacta.
De um lado está Mike Vrabel, do outro Mike MacDonald. Dois treinadores com uma identidade fortemente defensiva, ambos à procura do primeiro título no jogo final da temporada. Essa base ajuda a explicar porque chegamos a este Super Bowl com duas equipas que impõem respeito defensivamente, mas que também apresentam qualidade ofensiva, sobretudo na posição mais determinante do jogo.
Os quarterbacks chamam-se Drake Maye e Sam Darnold. Curiosamente, ambos foram a terceira escolha do Draft, ainda que separados por seis anos. Darnold chega a este momento depois de um percurso tudo menos linear. Em oito temporadas, esta é já a sua quinta equipa, mas em Seattle encontrou estabilidade e um encaixe claro no sistema de Klint Kubiak, ajudando a elevar o ataque dos Seahawks para um novo patamar. Para ter sucesso neste Super Bowl, Darnold terá de manter aquilo que o trouxe até aqui: precisão no passe, especialmente em movimento, ritmo na leitura do jogo e capacidade para usar as pernas para evitar perdas desnecessárias.
Do outro lado está Drake Maye. Depois de uma época de "rookie" promissora em New England, o jovem quarterback não tinha inicialmente o contexto ideal para dar o salto esperado. Esse cenário muda com a chegada de Mike Vrabel e, sobretudo, com o regresso de Josh McDaniels como coordenador ofensivo. McDaniels soube construir um ataque que protege Maye, simplifica leituras e o coloca em condições para produzir ao nível de candidato a MVP da fase regular. Ainda assim, o desafio agora é maior. Contra a linha defensiva de Seattle, Maye terá de ser rápido nas decisões, sobretudo se a primeira opção de passe não surgir de imediato. Aqui, Will Campbell, da linha ofensiva dos Patriots, será uma peça-chave e um alvo claro no plano defensivo de Mike MacDonald. Seattle parte como favorita, muito pelo talento individual que apresenta em vários setores e pela consistência defensiva ao longo da temporada. New England tenta equilibrar essa balança com a experiência do seu staff técnico em jogos desta dimensão, algo que pode fazer a diferença em momentos decisivos.
Fora das quatro linhas, o Super Bowl volta a ser muito mais do que um jogo. O espetáculo do intervalo, este ano protagonizado por Bad Bunny, acrescenta mais uma camada mediática a um evento que vive também da cultura, da música e do impacto global que gera. Mas, quando a bola é colocada em jogo, tudo se resume ao essencial.
No final, este Super Bowl não será decidido por um nome maior do que o jogo, nem por um momento isolado. Será decidido nos detalhes, na leitura certa, no passe que não pode falhar e na decisão tomada sob máxima pressão. E, como tantas vezes acontece neste desporto, a resposta estará, mais uma vez, nas mãos de quem lidera o ataque.
Opinião de Bernardo Solipa, comentador DAZN.
