João Sousa: "Quem está no top 50 é muito mais respeitado"

João Sousa: "Quem está no top 50 é muito mais respeitado"
Manuel Perez

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Em outubro do ano passado, surgiu pela primeira vez no top 100 (99º) do ranking ATP. Volvido um ano, tornou-se ontem o primeiro português a integrar o top-50, à custa do 49º lugar

O número 50 tem, desde ontem, um enorme significado na carreira de João Sousa. Em 15 de outubro do ano passado, o vimaranense surgiu pela primeira vez no top 100, ocupando a 99ª posição. Ontem, tornou-se no mais recente inquilino do top 50 do ranking ATP, aparecendo no 49º lugar. E quando falta apenas uma semana para se cumprir um ano desde esse momento histórico, são precisamente 50 os lugares que assinalam a extraordinária ascensão do recém-proclamado melhor tenista português de todos os tempos.

Existe no ténis uma velha máxima que refere o seguinte: "Se é difícil entrar no top 100, mais difícil ainda é permanecer por lá muito tempo". Importava, pois, saber qual a reação de João Sousa a essa "teoria" e procurar perceber se para um top 50 a pressão será ainda maior.

"Nunca tinha pensado nisso, mas também posso desde já garantir que não colocarei qualquer pressão em cima deste meu novo e melhor ranking e estou consciente relativamente àquilo que me espera", começou por indicar. "É óbvio que será sempre mais difícil manter-me muito tempo no top 50, tendo em conta todo o tipo de exigências e, acima de tudo, pelo simples facto de entrarmos num patamar em que as diferenças se traduzem em detalhes".

Perante tamanho conhecimento de causa, baseado na experiência recolhida a competir ao mais alto nível nos últimos tempos, João Sousa entra na área mais discutida no ténis e que tantas vezes engrandece os tais pequenos detalhes: a questão mental. "Não escondo que nos últimos dois anos melhorei muitíssimo o aspecto mental, algo que se revela fundamental para marcar a tal diferença, principalmente em momentos-chave, e muitas vezes ajuda a compensar o desgaste que se sente em termos físicos."

Para se manter entre os melhores do ranking, o Conquistador reconhece que pode "melhorar o golpe de serviço, a pancada de esquerda e o jogo junto à rede", mas, como que por instinto, atira: "Depois, tudo o resto que possa ajudar a marcar a diferença é mental".

Esta promoção do jogador da academia Barcelona Total Ténis também implicará um novo olhar por parte da concorrência, podendo transformá-lo num apetecível alvo a abater pelos portadores de rankings bem modestos. "Estou preparado para tudo, mas também sei que um jogador que faz parte do top 50 é muito mais respeitado e é bom que isso aconteça", faz questão de ressalvar, no encerramento da conversa telefónica com O JOGO. A namorada, a catalã Julia, esperava-o para jantar, no final daquele que foi "o primeiro dia em que voltei à normalidade, depois do título conquistado na Malásia"...