Rui Moreira e o número de espectadores no GP de Portugal: "Falta de respeito"

Rui Moreira e o número de espectadores no GP de Portugal: "Falta de respeito"
Redação

Tópicos

O presidente da Câmara Municipal do Porto considerou que "estes paradoxos" fazem com que os "portugueses percam a confiança nas instituições"

O presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, criticou, este sábado, a Direção-Geral de Saúde (DGS) pela lotação máxima do Grande Prémio de Portugal da Fórmula 1, considerando um desrespeito aos profissionais de saúde e uma incoerência face às medidas aplicadas a outras atividades sociais e desportivas.

Numa publicação feita no Facebook, o autarca portuense apontou a diferença de tratamento dado pela DGS à competição automobilística, que tem o ponto alto domingo, em Portimão, em comparação com aquele que tem sido dado, exemplificou Rui Moreira, ao futebol.

"A DGS (...) não deixa mais de 1.500 pessoas estarem num estádio ao ar livre a ver futebol, não permite pequenos eventos organizados com todos os cuidados pelas autarquias, mas deixa que 27.500 pessoas estejam em cima umas das outras a ver F1", escreveu Rui Moreira, que interpreta como uma "falta de respeito para todos os que estão a salvar vidas, nos hospitais e fora deles".

Este sábado, foram captadas imagens televisivas do Autódromo Internacional do Algarve que mostravam bancadas repletas de público e a falta de distanciamento social.

O presidente da Câmara Municipal do Porto considerou que "estes paradoxos" fazem com que os "portugueses percam a confiança nas instituições" e projeta que a decisão DGS, que "já andava em crise de credibilidade", apenas "ajuda o país a suspeitar que estamos mal entregues e com pouca sorte".

Vislumbrada a afluência de pessoas ao recinto que acolhe o Grande Prémio de Portugal da Fórmula 1, "muitas sem máscara", Rui Moreira recusou "calar este sentimento, (...) fingir que concordo", elencando vários argumentos.

"Há pessoas a morrer, muitas a sofrer; Há milhares de profissionais na linha da frente, há meses sem descanso; Os modelos apontam para uma sobrecarga do sistema a meio de Novembro; Há cidades fechadas com dever de "stay at home"; Há empresas encerradas, por dever de prudência, ou porque lhes foi imposta a quarentena; Há serviços públicos em apuros e à beira da rutura, pela mesmíssima razão; Se acumulam as baixas por doença, com um impacto terrível na economia", pode ler-se.

Rui Moreira apelou ao "bom senso" e lembrou que "cumpre-nos a todos, individual e coletivamente, agir com prudência" no atual contexto pandémico, cuja evolução epidemiológica tem batido recordes nos últimos dias.

Leia a mensagem na íntegra: