Volta a Portugal pode atrasar duas semanas para não colidir com o Tour

Volta a Portugal pode atrasar duas semanas para não colidir com o Tour
Frederico Bártolo

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Delmino Pereira, presidente da Federação, diz a O JOGO que as clássicas podem anteceder a Volta, que também se adiantará no calendário para não ter as mesmas datas do Tour.

O prolongamento do Estado de Emergência ditou que o ciclismo português suspendesse as restantes provas do calendário até 31 de maio, o que levará a alterações importantes, já que ficam, como se previa, imediatamente suspensas a Clássica das Aldeias do Xisto (de 6 de abril), a Volta à Albergaria (17 de maio), o Memorial Bruno Neves (24 maio) e o Grande Prémio O JOGO (28 a 31 de maio). Os ciclistas continuam a poder treinar na estrada, mas enfrentam um hiato competitivo até junho, o que deixa claro estarem em forma de pré-época quando regressarem. Nesse sentido, O JOGO sabe que a Volta a Portugal, prevista de 29 de julho a 9 de agosto, já pondera cenários alternativos, pode atrasar uma ou duas semanas. Ao que o nosso jornal apurou, a redução de etapas não está nos planos.

Sendo desejável que a pandemia se dissipe em Portugal até junho, a Volta será retardada por dois motivos: por os ciclistas precisarem de competir em corridas mais acessíveis - terreno sem muita montanha - para recuperarem índices de forma antes da prova mais importante do ano; depois, porque o provável adiamento da Volta a França (de 27 de junho a 19 de julho para de 25 julho a 16 de agosto) irá colocá-la a colidir com a Grandíssima. Esse cenário é de evitar, por retirar mediatismo às equipas lusas, mas também por ser difícil encaixar as duas provas na RTP, que tem os direitos de ambas.

O presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo sente boa-fé nos organizadores. "Há colaboração de todos. Ainda é incerto o calendário, mas a época tem de ter princípio meio e fim e não se pode chegar à Volta a Portugal sem corridas. Penso que as clássicas seriam boa preparação. E, sinceramente, devíamos evitar colidir com o Tour", admite Delmino Pereira, taxativo quanto à mudança dos Nacionais: "Podem ser depois da Volta. São demasiado importantes para se disputarem logo após longa paragem."

Torres Vedras satisfaz-se se tiver duas etapas

Delmino Pereira falou na boa-fé dos organizadores e o GP Torres Vedras dá o exemplo. "Não acredito que a Volta a Portugal vá para a estrada nas datas previstas. Há a possibilidade de as clássicas virem para a nossa data [meio de julho], portanto podemos atrasar também", diz Francisco Manuel Fernandes, disposto a abdicar de duas das quatro etapas: "Ficaríamos com a subida ao Montejunto e o circuito habitual em Torres Vedras."

Troféu O JOGO em julho e JN para setembro

A Federação pretende colocar as principais clássicas antes da Volta a Portugal e o Troféu O JOGO salta, em princípio, para julho. "Pedimos essa data, sim, antes da Volta", diz Carlos Pereira, o organizador e também líder da equipa Efapel, que confirma a "anulação" do Grande Prémio Internacional das Beiras, uma das corridas afetadas pela pandemia. Com o possível recuar da Volta a Portugal, o JN também pode atrasar, fazendo de agosto e setembro meses fortes para as provas de etapas: "Vejo com bons olhos adiar uma ou duas semanas. Temos de salvaguardar a rainha das provas, ainda que seja difícil desenhar já um calendário." O Prémio das Beiras é a única corrida por etapas que não irá para a estrada em 2020 para já. Mantém-se a incerteza quanto ao GP Abimota (10 a 14 de junho), que pela dureza dificilmente pode manter as datas no regresso dos ciclistas à atividade. A corrida tanto poderia ser colocada antes da Volta a Portugal como reservada para o mês de setembro, não esquecendo que tem de ser dada a prioridade aos campeonatos nacionais. "O calendário vai ser mais concentrado, mas é assim que tem de ser", explica José Santos, da RP-Boavista, em representação dos diretores desportivos. A Volta ao Alentejo, organizada pela Podium, foi apenas suspensa e a Federação quer que vá para a estrada, podendo acabar com o ano velocipédico, em outubro.