
Daniel Osuji
FPF
Daniel Osuji chegou em novembro à procura de mais minutos. O guarda-redes de 20 anos, formado no Benfica, destacou-se rapidamente na baliza da equipa vila-condense. Em entrevista a O JOGO, o internacional luso fala da adaptação ao modelo defensivo à zona, enquanto aprende diariamente com Tiago Sacramento, guarda-redes experiente e quase 20 anos mais velho.
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Daniel Osuji chegou ao Caxinas em novembro, já com a temporada em andamento e sem margem para períodos longos de adaptação. O guarda-redes de 20 anos, proveniente do Benfica, tomou uma decisão pensada e consciente ao mudar-se para Vila do Conde: precisava de competir, de sentir a responsabilidade do jogo e de se colocar à prova num contexto diferente. "Sentia que era o momento certo para sair e procurar mais minutos. Jogar com regularidade é fundamental para crescer e há coisas que só se aprendem em jogo, não apenas no treino", explica a O JOGO.
A aposta revelou-se acertada e Osuji rapidamente passou a ter um papel relevante na equipa vila-condense. Dentro da quadra, a integração foi natural. "Cheguei e senti logo um grupo muito unido, competitivo e com uma ética de trabalho muito forte. Isso ajudou bastante na adaptação", conta. Fora da competição o impacto foi outro. "Foi tudo muito rápido e não é fácil mudar de rotina a meio da época. Sou muito ligado à família, à minha mãe e aos amigos, e isso pesa, mas com o tempo fui-me adaptando e hoje sinto-me bem aqui".
Com sete jogos já realizados ao serviço do Caxinas, o internacional jovem português sente que está a crescer. "Tenho jogado com mais confiança. Vou conhecendo melhor os colegas, os adversários e as dinâmicas da equipa, e isso reflete-se no meu rendimento", garante. Para um guarda-redes, a adaptação ao modelo defensivo é sempre um processo delicado, e neste caso não foi exceção. "O Caxinas defende à zona, algo diferente do que estava habituado. No início exigiu mais atenção e comunicação, mas o treinador e os colegas ajudaram-me muito. Hoje já sinto que tudo flui com naturalidade".
Na baliza, divide responsabilidades com Tiago Sacramento, um dos nomes mais experientes da Liga Placard. A diferença de idades transforma-se num fator de aprendizagem diária. "O Sacramento tem muita experiência, é muito comunicador e muito interventivo no jogo. Observar a forma como se posiciona, como lidera e como reage aos momentos do jogo ajuda-me imenso. Estamos a falar de quase 20 anos de diferença. Tudo o que puder vou aproveitar, porque são coisas que não se aprendem de um dia para o outro", sublinha. A concorrência, numa posição tão específica, é encarada como um estímulo. "Sem concorrência não há evolução. Sempre encarei isso como algo positivo. No Benfica tive a oportunidade de trabalhar com o Correia e o Léo, agora tenho o Sacramento. São guarda-redes que sobem o nível de exigência todos os dias e isso faz-nos crescer".
Tem faltado "cabeça fria" ao grupo
Coletivamente, o momento não é fácil. O Caxinas ocupa o último lugar da Liga Placard, mas o grupo não baixa os braços. "Sabemos bem como temos de encarar o resto da época para sair da situação em que nos encontramos. Estamos insatisfeitos com o nosso lugar na tabela, mas não viramos a cara à luta e trabalhamos todos os dias para atingir os nossos objetivos." Questionado sobre o que tem faltado para transformar boas exibições em pontos, Osuji aponta sobretudo o aspeto mental. "Acima de tudo confiança e mantermos a cabeça limpa nos momentos cruciais do jogo para não vacilarmos. A entrega de todos tem sido incrível, temos muita qualidade, mas precisamos de manter a cabeça limpa, principalmente nos momentos finais".
