"Tínhamos muito receio de jogar com Espanha, Itália, Rússia, Brasil, mas esta geração já não tem medo"

André Coelho
FPF
André Coelho revela a vontade da Seleção Nacional em conquistar o tricampeonato europeu, mas alerta para uma competição difícil. Portugal estreia-se frente à Itália no sábado, numa prova organizada por três países: Eslovénia, Letónia e Lituânia. No grupo B, os comandados de Jorge Braz vão ainda enfrentar a Polónia e Hungria.
Portugal é bicampeão europeu de futsal e começa a defesa desses últimos títulos, conquistados em 2018 e 2022, no sábado, contra a Itália. Numa competição disputada na Eslovénia, Letónia e Lituânia, os lusos estão inseridos no grupo D, onde, além dos transalpinos, enfrentam a Hungria e Polónia. André Coelho é um dos mais experientes entre os 14 escolhidos por Jorge Braz e, a O JOGO, é claro sobre objetivos. "A nossa obrigação é sempre ganhar, embora não possamos dizer que estamos obrigados a ser campeões. Temos de dar o nosso melhor e, dado o nosso estatuto, queremos revalidar o título", atira o fixo, que esteve nessas conquistas europeias, bem como na vitória do Mundial em 2021 e na Finalíssima em 2022.
Dado os troféus conquistados, o jogador do Benfica considera que os adversários "olham para Portugal como um alvo abater", o que torna "qualquer jogo complicado". E a estreia na prova, perante a Itália, promete ser exigente. "Acho que não precisa de apresentações. Durante muitos anos, foi uma crónica candidata ao título. Tem jogadores de muita qualidade, alguns deles naturalizados, mas tenho a certeza que vamos estar preparados", realça, certo que estes adversários vão competir com os lusos pelo troféu: "Já falei da Itália e há sempre a Espanha. Em teoria, também podemos contar com a França e a Ucrânia. Se bem que isto da teoria pouco conta, como vimos no último Mundial".
E esse torneio, disputado no Usbequistão, acabou por ser dececionante para as cores lusitanas, dada a eliminação nos oitavos de final, ante o Cazaquistão. "Saímos muito cedo, foi um rude golpe para nós. Ficou a aprendizagem e a noção de que este Europeu vai ser muito equilibrado, não se pode cometer erros", frisa.
André Coelho esteve em todas as conquistas da Seleção e até marcou na final do último Europeu, frente à Rússia (4-2). No entanto, apesar de considerar esse momento importante, não esquece o primeiro troféu. "Acho que a vitória no Campeonato da Europa de 2018, por ter sido a primeira conquista e por toda a envolvência à volta dessa final, com a Espanha. Os adversários não esperavam que fosse Portugal a ganhar e não esquecemos o mediatismo do momento, quando chegámos ao aeroporto e entrámos para o autocarro. Nunca tinha vivido nada assim", recorda o fixo.
"Esta geração já não tem medo"
Há mais de uma década que André Coelho já representa a Seleção Nacional e sempre com Jorge Braz como selecionador. Porém, viu uma mentalidade que mudou pela positiva. "Quando cheguei, tínhamos muito receio de jogar com Espanha, Itália, Rússia ou Brasil, por causa do histórico de resultados. Mas chegou um conjunto de jogadores que ainda não tinha perdido com essas seleções e conseguiu ganhar títulos. Por isso, agora esta geração já não tem medo e isso ajuda-nos a dar um passo em frente", realça o fixo do Benfica.

Futuro da seleção está assegurado
André Coelho confia no potencial da nova geração, com um trajeto diferente das anteriores
A Seleção Nacional está a renovar-se e para melhor, considera André Coelho. O fixo não tem dúvidas de que o futuro do futsal português está garantido e que os títulos vão continuar a aparecer. "Considero que temos uma geração que cresceu muito mais rápido do que nós. Eu só passei pelos sub-21 antes de chegar à seleção principal. Eles tiveram nos sub-13, sub-15, sub-17 e sub-19 e foram campeões europeus", elogia, destacando alguns jovens promissores: "Lúcio Rocha já veio cá muitas vezes, o Rúben Góis também tem várias internacionalizações. O Edmilson Kutchy e o Bruno Maior também foram campeões da Europa de sub-19. Felizmente, chegam a estas competições já muito bem preparados, graças ao trabalho que tem sido feito pela Federação".
Agora, André Coelho, de 32 anos, é um dos mais experientes da equipa das Quinas, mas também já foi um dos mais jovens, pelo que não esquece aqueles que foram os mentores naquela fase. "A minha geração teve grandes professores, como o Ricardinho, o Bebé, o João Matos e o Pedro Cary. Agora, fazemos questão de manter a dinâmica e cada um sabe o comportamento que deve ter no grupo", recorda o fixo dos encarnados, que pela primeira vez vai jogar um Europeu sem a presença de João Matos: "Era uma pessoa que estava sempre presente, mas são escolhas e o míster Jorge Braz sabe o que faz".

Fome de títulos não tem fim
Aos 32 anos, André Coelho já ganhou todos os principais títulos da modalidade, sendo que, pela Seleção Nacional, tem dois Europeus, um Mundial e uma Finalíssima, além de já ter vencido duas Ligas dos Campeões, quando representou o Barcelona. Pelos catalães também foi campeão espanhol e, no Benfica, conquistou o título português. Um currículo invejável, mas que não o deixa saciado. "Quando se ganha uma vez, quer-se ganhar duas. Se chegar o segundo, vamos à procura do próximo troféu e por aí em diante. Estou feliz com a minha carreira, mas sei que ainda posso ganhar mais", vincou o futsalista.
O fixo regressou no verão de 2024 ao futsal português e ao Benfica, após quatro anos em Espanha com a camisola do Barcelona. "Penso que foi um processo natural e uma escolha que fiz em conjunto com a minha família. Felizmente, regressei numa época em que se conquistou o título nacional", salienta André Coelho, grato pelos anos passados na Catalunha: "Foi uma escola brutal, onde cresci e evolui como jogador".
