
Jannik Sinner (Créditos: AFP)
Fundador e ex-diretor da Agência Francesa Antidopagem considera que o tenista italiano só teve de cumprir três meses de suspensão por doping, no âmbito de um acordo com a AMA, devido ao seu alto perfil
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Jean-Pierre Verdy, fundador e ex-diretor da Agência Francesa Antidopagem, comentou esta terça-feira a suspensão de apenas três meses que foi atribuída a Jannik Sinner, entre fevereiro e maio deste ano, após o atual vice-líder do ranking mundial de ténis ter testado positivo para clostebol, uma substância anabolizante.
Esta suspensão foi decidida no âmbito de um acordo entre o italiano e a Agência Mundial Antidopagem, com Sinner a ter alegado sempre que foi contaminado inadvertidamente pela sua equipa, através de massagens e terapia desportiva.
Questionado sobre o caso, que motivou várias acusações de favorecimento, Verdy também foi em direção dessa retórica, garantindo à imprensa francesa que, se se tratasse de um atleta de menor perfil, a suspensão decidida pela AMA teria sido muito mais longa do que apenas três meses.
"O que aconteceu não é habitual, mas quanto mais poderoso é o desportista, mais opções tem para sair ileso. As desculpas são sempre as mesmas, desta vez foi seu o massagista, mas esta solução só é factual para os maiores. Qualquer outro na sua situação teria sido sancionado com dois ou três anos. [A suspensão de Sinner] Foi leve em comparação com a substância e a sanção que seria imposta a um atleta comum que fosse apanhado com a mesma substância. Qualquer outra pessoa teria recebido dois ou três anos no mesmo caso", comparou, mostrando-se ainda surpreso por este acordo entre a AMA e Sinner ter sido possível, levando a que a autoridade antidoping desistisse de um recurso para que o italiano fosse suspenso um ano: "É a primeira vez, que eu saiba. Os acordos diretos entre um desportista e a AMA não têm precedentes. Será isto um precedente? Seguirão outros atletas este exemplo?", questionou.

