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Emblema de Vila Nova de Gaia vive presença inédita na Liga Betclic Feminina e resultados recentes dão força à meta da manutenção. Mais "ambientado" ao topo, diz o técnico Francisco Costa, nono classificado leva três vitórias em quatro jogos, com a vantagem de ter batido rivais diretos na luta pela permanência.
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A competir na Liga Betclic Feminina pela primeira vez na história, o Coimbrões Sancho Panza deu passos largos para continuar no topo nas últimas semanas. O emblema dos arredores de Vila Nova de Gaia leva três triunfos em quatro jogos (Galitos Aveiro, GDESSA Barreiro e Sanjoanense), uma fase positiva que valeu a subida a um cómodo nono lugar (5v/12d). " Tínhamos noção que seria complicado mantermo-nos na Liga. Eram sempre necessárias, pelo menos, seis ou sete vitórias. Para nós, atualmente, é algo bem mais possível", constata a O JOGO o técnico Francisco Costa, há cinco anos no clube, ajudando-o a saltar da I Divisão Feminina para o escalão máximo, no qual tinha experiência ao serviço do CPN.
No entender do responsável, o crescimento deveu-se a "uma questão de treino e de hábito". "Temos três atletas novas em 16 [n.d.r.: Zarria Carter, Chrystal Primm e Sara Peres]. Por isso, 13 transitaram do ano anterior. Na fase inicial custou-nos a perceber as dinâmicas. Quando elas entenderam que tínhamos de jogar a um ritmo acima e ser mais agressivos defensivamente, melhorámos, mesmo nas derrotas, se formos ver os resultados da segunda volta. Estamos a ambientar-nos e a crescer de jogo para jogo", nota.
Mais importante nesta sequência é o facto de os êxitos até agora terem sido contra concorrentes diretos na luta pela manutenção, o que dá mais força ao objetivo. Por isso, o Coimbrões recebe domingo a líder Quinta dos Lombos (16d/1d), na 18.ª jornada (16h30), mas já está de olhos pontos na ronda seguinte, quando visitar o CAB Madeira, lanterna vermelha da classificação (3v/12d), no dia 14. "Acaba por ser um jogo decisivo", resume Costa.
Regresso a casa no horizonte
A meio da semana, o Coimbrões teve o contentamento de voltar a casa em jogo para a Taça de Portugal, pois, na Liga Betclic, atua no Municipal de Vila Nova de Gaia. "O nosso marcador já está ultrapassado, está lá desde a inauguração, não cumpre os requisitos necessários", explica Francisco Costa, adiantando que há perspetivas de o novo aparelho ser colocado no decorrer de fevereiro, com o apoio da Câmara. "Seria bom ainda conseguirmos fazer uma jornada em nossa casa nesta época", considera, havendo duas possibilidades (Imortal a 1 de março ou Esgueira a 22 do próximo mês). Apesar de recorrer a casa emprestada, o clube nortenho está no top-3 de assistências da Liga.
Orgulhosamente formador e feminino
Com a subida à Liga Betclic Feminina, o Coimbrões Sancho Panza não descurou o lado formador, aproveitando nove jogadoras da formação para as seniores entre as 13 portuguesas do plantel. "Temos sempre, pelo menos, quatro ou cinco atletas por jogo que participam ativamente e que são fruto do nosso trabalho de épocas anteriores. E esta equipa está a passar o bichinho às gerações mais novas, fazendo ver que, trabalhando, conseguem-se patamares elevados", realça Francisco Costa, que também desempenha as funções de coordenador.
Ao todo, o clube conta com 130 atletas, com equipas do baby basket aos masters no feminino, vertente que já se tornou imagem de marca. "Associo o Coimbrões ao feminino e não vejo mal nenhum nisso. Poderíamos ter masculino, mas iríamos ter piores condições de trabalho e de treino para o desenvolvimento das meninas. Foco numa vertente acaba por ser positivo", defende.

Emilie Silva (a defender) é do Coimbrões desde mini (créditos: FPB)
"Liga desafiou-me num bom sentido"
"Ter boas estatísticas na universidade levou-me a ser convidada para um Eurobasket Camp, em Dallas. O diretor de operações pôs-me em contacto com o Chico [Francisco Costa] e o resto é história", resume Lauren Golding (27 anos), que entrou para os registos do Coimbrões ao ser a primeira estrangeira a cumprir uma época completa no clube, que representa desde 2023/24. A canadiana contribuiu para a ascensão da equipa até ao patamar mais alto, tendo-se já tornado uma figura incontornável da Liga Betclic Feminina. "É um campeonato muito competitivo e físico, o que tenho adorado. Sinto que cresci como jogadora e me adaptei ao estilo, desafiou-me num bom sentido e tem-me feito ser melhor", partilha a O JOGO, orgulhosa do momento da subida e confiante na permanência na elite. "A equipa é muito dedicada e motivada. Tem tudo o que precisa para se manter no topo", sublinha, dizendo-se testemunha de "um forte compromisso do clube com o desenvolvimento de jovens jogadoras".
Golding também tem feito a sua parte, pois treina atletas em paralelo, além de representar o Coimbrões. "No ano passado, tive oito a trabalhar comigo regularmente e este número quase triplicou. Vê-los crescer, ganhar confiança e prosperar dentro e fora do campo é algo inspirador", exalta. A sentir-se em casa, a extremo está aberta a manter-se em Portugal por muitos mais anos e até a obter passaporte português, só tecendo elogios. "Sinto-me perfeitamente adaptada. A comida é incrível e o verdadeiro motivo para continuar. É um país lindo e único. Aprender a língua foi o mais desafiante, mas consigo comunicar bem em campo e encomendar todos os meus pratos preferidos, que é o que realmente importa. Aqui as pessoas são acolhedoras. Portugal é especial para mim pela forma como valorizam e amam as crianças. O meu filho também sentiu esse carinho e vê-lo tão feliz deixa-me ainda mais grata", conclui Lauren Golding.

Lauren Golding tenciona ficar mais anos em Portugal (créditos: FPB)

