
Rui Silva com António Areia
AFP
Capitão da Seleção Nacional de andebol é um dos quatro atletas que já se viu perante esta situação, no Europeu de 2020
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Seis anos e cinco dias depois, Portugal volta a ter possibilidade de ficar em 5.º lugar num Campeonato da Europa de andebol. A primeira vez foi a 25 de janeiro de 2020, num Europeu organizado por Áustria, Suécia e Noruega, em que a equipa das Quinas cedeu frente à Alemanha, por 29-27. Do conjunto de atletas dessa altura, apenas quatro se mantêm: Rui Silva, António Areia, Diogo Branquinho e Luís Frade. Agora, após 2197 dias, os quatro jogadores estão rodeados de outros Heróis do Mar e têm, hoje, a partir das 14h00, frente à Suécia, em Herning, na Dinamarca, a possibilidade de subirem um degrau e fazer a melhor classificação de sempre na prova continental, o objetivo traçado desde a primeira hora.
"O primeiro grupo nunca tinha cá chegado, foi a primeira grande competição após 14 anos e aconteceu tudo tão rápido que nos terá apanhado um pouco de surpresa", recorda Rui Silva a O JOGO. "Este conjunto ainda tem atletas dessa altura, outros que estão aparecer, outros ainda que já foram quartos do Mundo e fica-se sempre na expectativa de agora fazer algo mais", continua o capitão da Seleção Nacional desde o Mundial"23, embora já tivesse exercício tais funções no Mundial"21 e no Pré-Olímpico, então devido à ausência de Tiago Rocha.
Uma Suécia ao nível das outras seleções
"A Suécia é uma seleção do mesmo nível das que temos defrontado, que joga com um ritmo intenso e deve vir mais desiludida por falhar as meias-finais, pelo que poderemos aproveitar esse momento emocional deles", estima o central do FC Porto. "Por outro lado, é uma seleção que vai querer mostrar outra imagem, mas nós temos que continuar a nossa reação, o que fizemos com a Noruega e Espanha e assim temos mais hipóteses de ganhar", confia, concordando com Paulo Jorge Pereira que, de véspera, declarou que Portugal merecia ganhar. "Após vencer a Dinamarca todos esperavam que ganhássemos a toda a gente, mas as coisas não são assim, aqueles 30 minutos com a França foram dos piores que fizemos desde que andamos aqui, mas agora não nos contentamos por estar no jogo, queremos ganhar e fazer o quinto lugar. Desta vez é para o quinto lugar", diz.
"Orgulhoso" e com "vontade de mais"
Rui Silva apercebeu-se através de O JOGO que já é o segundo atleta de andebol português mais internacional de sempre. "Não sabia, é especial, é um motivo de orgulho, deixa-me honrado toda esta quantidade de jogos que já fiz por Portugal. Que assim continue", deseja o meias-distância, de 32 anos, ele que pretende ainda "fazer mais umas quatro/cinco épocas" e espera "poder continuar a contribuir". De resto, Rui Silva já tinha um registo muito difícil de bater: é o atleta que mais jovem atuou pela Seleção, numa Taça Latina, em Estepona, Espanha, de juniores C. Foi a 4 de abril de 2007 e tinha 13 anos, 11 meses e sete dias. "Lembro-me porque o Duda [Dragoslav Punosevac], que era o nosso treinador, não me deixou jogar muito tempo porque os franceses foram com a geração de cima, eram bem mais altos e fortes e ele teve medo que me acontecesse alguma coisa", revive.

