
Portugal-Bélgica
FPR
Portugal triunfou com ponto de bónus ofensivo sob "batuta" de Samuel Marques
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Portugal estreou-se este sábado no Rugby Europe Championship 2026 com um importante triunfo na Bélgica (47-17), com ponto de bónus ofensivo, que deixa a Seleção portuguesa em boa posição para garantir o apuramento para as meias-finais.
Em Mons, Portugal já vencia por 23-10, com ensaios de Rodrigo Marta (21 minutos) e Samuel Marques (24), e somou mais três toques de meta no segundo tempo, por Manuel Cardoso Pinto (63), Domingos Cabral (75) e um ensaio de penalidade (80+8) que garantiu a bonificação já em adiantado período de descontos.
Samuel Marques assinou 25 dos 47 pontos portugueses, ao acrescentar ao seu próprio ensaio quatro transformações (22, 24, 64, 76) e quatro penalidades (14, 28, 39, 58), num registo de 100% de eficácia nas oito vezes em que alvejou os postes ao longo do encontro.
É impressionante, de resto, a disponibilidade física do médio de formação português que, aos 37 anos, continua a segurar a "batuta" da Seleção portuguesa de râguebi.
O jogador do Bézier (França) acelerou o jogo, mesmo em inferioridade numérica, sempre que vislumbrou qualquer vestígio de desequilíbrio no adversário, e meteu "água na fervura" quando os companheiros pretendiam ir com demasiada "sede ao pote", em busca do quinto ensaio, que garantisse, pelo menos, os três de diferença que são necessários, para além de um mínimo de quatro, para conquistar o ponto de bónus.
Foi assim que, já para lá da hora, impediu, mais do que uma vez, que os companheiros cobrassem rápido as sucessivas faltas dos "diabos negros", optando por massacrar o adversário com formações ordenadas que este já não conseguia travar sem recurso à falta e obrigando o árbitro a conceder o ensaio de penalidade que assegurou a bonificação.
Um triunfo justo dos portugueses, apesar de alguma indisciplina que urge corrigir e que podia ter custado cara, por exemplo, no início da segunda parte, quando uma placagem alta de Isaac Montoisy (44), que valeu cartão amarelo ao belga, foi desaproveitada, aparentemente, por protestos de Vincent Pinto, que lhe valeram igualmente 10 minutos no banco do castigo e a inversão da penalidade.
Num momento em que ainda estava tudo em aberto, Portugal passou de uma situação em que podia matar o jogo para ser encostado à sua linha de ensaio e permitir que os belgas chegassem ao segundo ensaio, por Julien Berger (50), e ficassem a um toque de meta transformado de dar a cambalhota ao marcador (23-17).
Ainda por cima, Luka Begic viu amarelo no lance do ensaio belga, o que deixou os "lobos", temporariamente, com apenas 13 elementos, mas a experiência de Marques foi decisiva para, nesse período, segurar o jogo na área de 22 metros dos belgas e impedir que saltassem para a frente do marcador.
Após um período atabalhoado, num relvado que deu sinais de desgaste desde os primeiros minutos, Manuel Cardoso Pinto (63) cruzou a linha de meta, tal como Rodrigo Marta (21) e o próprio Samuel Marques (24) já tinham feito na primeira parte, e deu um duro golpe na capacidade anímica dos belgas.
A partir desse momento, Portugal ficou dono e senhor do jogo e, após o ensaio de Domingos Cabral (75), a única dúvida residia, apenas, em saber se conseguiria somar o ponto de bónus, objetivo alcançado bem para lá do tempo regulamentar, muito graças à já referida experiência de Samuel Marques.
Assim, Portugal coloca-se na frente do Grupo B, com cinco pontos, enquanto aguarda pelo desfecho do Alemanha-Roménia que, no domingo, fecha a primeira jornada do REC'2026. A Espanha lidera o Grupo A após vencer nos Países Baixos (51-33).

